domingo, 30 de maio de 2010

Responsabilidade Social Corporativa e Empresa Cidadã

Estudos para o cargo de JORNALISTA
EDITAL_PETROBRAS BIOCOMBUSTÍVEIS
diferenças e objetivos comuns entre Responsabilidade Social e Cidadania nas Empresas para construção permanente da Reputação Corporativa
A idéia de responsabilidade social nas empresas teve origem no século XIX seguindo o viés da filantropia corporativa. Segundo os autores de “Administração”, James Stoner e Edward Freeman (1999, pg 72), naquela época, o investimento na imagem era regido pelos princípios da caridade e da custódia e visavam exclusivamente à maximização do lucro em favor dos sócios.

Karkotlie e Sueli Aragão, no livro “Responsabilidade Social: contribuição à gestão transformadora das organizações” de 2004, citam os princípios de Stoner para falar daquele que seria o primeiro case sobre responsabilidade social nas grandes corporações, o do empresário A. Carnigie datado de 1899.

Carnigie, fundou o conglomerado U.S Stell Corporation e aderiu às práticas de responsabilidade social consideradas ainda paternalistas e assistencialistas, pois a obrigação restringia-se apenas a proprietários e administradores, e não propriamente às empresas de forma sistêmica.

Esta visão de gestão centralizada, do capitalismo gerencial, em que as decisões estavam concentradas na mão dos “homens de negócio”, começou a demonstrar suas fragilidades. Foi quando em 1932, motivados pelo resultado do Julgamento entre Dodge X Ford, que Berle e Means publicam “The Modern Corporation and Property”, num cenário que demonstrava um esforço urgente do mundo para se erguer após a Grande Depressão e pós-guerra.

O estudo de Berle e Means alertou para as deficiências deste modelo de gestão, concluindo que a discricionariedade e a falta de ética, que chamaríamos hoje de falta de governança e transparência, dos dirigentes de empresas precisaria ser revista neste momento de retomada.

As organizações, impulsionadas por esta necessidade de crescimento e lucro a qualquer custo, começaram a enfrentar as conseqüências das suas intensas atividades econômicas. Mas foi só entre as décadas de 50 e 60, que as pressões da sociedade se intensificaram, principalmente com o início da Guerra do Vietnã e a fabricação de armamentos bélicos prejudiciais ao homem e ao meio ambiente.

Com isto, uma nova concepção de gestão emergiu substituindo o “homem de negócios” pelo empresário que buscasse um maior comprometimento social e que ampliasse o modelo para além das trocas materiais, como resposta às pressões sociais e de governo.

Começava a se desenvolver, e a se incorporar à gestão das organizações, ações pautadas nos objetivos e valores sociais atribuídos às empresas. Era preciso medir o que se produzia, como produzia, o que vendia e seus impactos no meio ambiente e humano. Para Karkotlie e Aragão era o surgimento de uma nova responsabilidade, de cunho social, um novo paradigma gerencial e estratégico que eclodiu após a guerra do Vietnã.

Não podemos excluir deste contexto a questão ambiental, que também é discutida pela humanidade não é de hoje. Na postagem “Adendos sobre sustentabilidade” (11/05/2010) eu compartilho o que aprendi no curso on line da FGV sobre “História da Sustentabilidade”, coordenado por Haroldo Mattos Lemos.

A História conta que as atividades econômicas sempre pressionaram o meio ambiente. Que nunca houve uma preocupação prévia em se planejar o manuseio dos recursos naturais de forma responsável e sustentável e tampouco essa preocupação era estendida aos impactos que os processos produtivos, descarte de resíduos e emissão de gases poluentes poderiam exercer sobre os ecossistemas e sobre a sociedade.

O progresso, da forma como estava sendo conduzido, submetia o meio natural ao êxito tecno-científico. Acreditava-se que o ambiente artificial o substituiria, sem prejudicar nenhuma das partes. A natureza e o homem começaram a dar sinais de que quando os limites do meio ambiente são ultrapassados os custos ambientais, e humanos, das atividades econômicas aparecem.

Uma das primeiras manifestações de conscientização sobre os problemas ambientais provocados pelo desenvolvimento desequilibrado aconteceu aqui no Brasil em 1862, na Floresta da Tijuca. Na época, D.Pedro II foi motivado a ordenar o primeiro reflorestamento do país por causa da escassez de água nos afluentes dos rios da Floresta, provocada pelo desmatamento para instalação das lavouras de café, e agravada pela falta de chuvas.

O reflorestamento durou 10 anos. A Floresta situada no Rio de Janeiro talvez não tivesse sido elevada à Reserva da Biosfera, em 1991, não fosse nosso imperador perceber o impacto do Ciclo de Café naquele bioma. (Acesse: Preocupação com meio ambiente é antiga http://migre.me/JhLP)

Nos Estados Unidos o Presidente Franklin Delano Roosevelt fez um discurso em 1908, em que convidou os americanos a uma reflexão sobre “o que vai acontecer quando nossas reservas naturais esgotarem, quando nosso solo ficar empobrecido e quando nossa água estiver poluída?”

A pergunta ecoou e após mais de cem anos nós continuamos a nos perguntar quase a mesma coisa. Desmatamento, erosão dos solos, esgotamento de recursos naturais e poluição das águas e do ar ainda são os principais pontos da discussão sobre as mudanças climáticas e como contê-las.

Foi preciso a população e o meio ambiente assumirem os custos externalizados pelas atividades econômicas unidimensionais (foco apenas no lucro), para que a primeira legislação surgisse em 1956, quatro anos após a chuva ácida e a poluição atmosférica na Inglaterra ter provocado milhares de mortes.

A Lei do Ar Puro obrigou as empresas a controlarem a poluição emitida pelos processos produtivos e pressionou-as para que olhassem mais para a comunidade ao seu redor. Os ingleses também precisaram adaptar suas casas aos novos limites de uso do carvão para calefação. A lei foi exemplo de que só com a integração de esforços entre os diversos níveis da sociedade pode se alcançar resultados e inspirou outros países da Europa a adotarem medidas parecidas.

Na década de 70 surgem as ferramentas teóricas para legitimação do conceito de RS nas instituições. Hans Jonas e Levinas, ambos colocam a Responsabilidade como centro da ética, não mais centrada no passado e no presente, mas focada no futuro.

Daí a expressão ESTRATÉGIA para um tempo vindouro, compatível com a ciência e com as novas tecnologias. Responsabilidade segundo Jonas e Levinas passa a nortear as decisões que possam interferir nas diferentes formas de vida.

Cabe destacar aqui, que a responsabilidade já foi abordada pelos filósofos clássicos como princípio ético e que no século XX ela assume novas perspectivas a partir destes filósofos, Jonas e Levinas.

Na essência, estes dois pensadores defendem que ninguém está legitimado ou autorizado a colocar em risco as gerações futuras e o meio onde irão viver. Argumento que se parece muito com o princípio ético de Kant “Age de tal modo que os efeitos sejam compatíveis com a permanência duradoura da vida humana na Terra”.

Além da linha ética, a Responsabilidade Social é um instrumento que estabelece uma relação positiva entre o comportamento socialmente responsável e a performance econômica. A organização tem novas oportunidades perante seus concorrentes, quando se posiciona proativamente em relação às ações que deveriam vir do Estado.

A Responsabilidade Social assumida pelas empresas seria então algo que traria vantagens competitivas. Segundo Ostergard (1999) a RSE é discricionária, não está vinculada a nenhum dever legal, e dedicada a investir em espectros da sociedade que de alguma forma alavanquem o seu core business (principal negócio), ou seja assume uma concepção estratégica dentro das organizações tendo como pano de fundo o desenvolvimento sustentável.

Revirando a literatura para compreender este tema, podemos perceber que o termo cidadania empresarial é, muitas vezes, usado como sinônimo de RSE. Até o ex-presidente do EUA, Bill Clinton, utilizou Cidadania Empresarial, e não RSE, para discursar em uma Conferência direcionada aos industriais e estudantes em 1996.

Neste discurso,Clinton vinculou o termo Cidadania Empresarial às boas práticas organizacionais dirigidas aos funcionários, excluindo os demais grupos de stakeholders.

CONVERGÊNCIAS E DIVERGÊNCIAS ENTRE SIGNIFICADO E SIGNIFICANTE

Archie Carroll em 1998, autor-referência sobre estudos da RSE, propõe convergência entre os significados dos conceitos. Uma empresa é caracterizada como cidadã quando assume sua responsabilidade:

• econômica(ser lucrativa);

• legal(atuar dentro da lei);

• ética(comportamento ético);

• e filantrópica (retribuição/retorno à sociedade).

No ano seguinte, outro teórico, Maingnan (1999) inspirado no modelo de Carroll trás à tona o termo Performance Social, baseando-se na teoria dos stakeholders. Para Maingnan uma empresa passaria a ser cidadã quando determinasse, por meio de investigação criteriosa, os verdadeiros atores sociais e suas reais necessidades que deveriam ser levados em consideração nas tomadas de decisão de uma empresa.

O pensamento de Maingnan pressupõe uma empresa integrada e com o conceito de compromisso social internalizado, permeando todas as áreas e níveis empresariais.

A visão da empresa como uma rede de relacionamento entre os stakeholders que inclui tanto as trocas econômicas, quanto as de confiança, de idéias e normas éticas e é decisiva para o sucesso da transformação cultural da empresa.

Tal como Enderle e Tavis (1998) sugeriram, integram este modelo de organização em rede três níveis de responsabilidade social a econômica, a social e a ambiental, em substituição ao modelo de Carroll citado a cima.

Juntas essas três dimensões constituem os reais desafios éticos a serem superados pelas organizações que pretendem assumir um posicionamento pró-ativo diante das questões urgentes contemporâneas, como por exemplo, conter as mudanças climáticas e promover a inclusão social.

Portanto, a Responsabilidade Social Empresarial é parte estratégica dos negócios da empresa sendo:

Transdisciplinar, a RSE tem que sair da abstração conceitual e passar a fazer parte do dia a dia da empresa, permeando todas as áreas de atuação e conectando todos os stakeholders, conscientizando todos de que somos co-responsáveis pelos problemas da sociedade;

Multidimensional, a empresa tem que corresponder às expectativas, econômicas, sociais e ambientais de seus diversos stakeholders;

Sistêmica, só uma empresa focada nas relações entre os stakeholders será capaz de transformar a cultura da empresa.

Segundo a ONU, RSE é um conceito que reconhece o papel das empresas na consecção de um desenvolvimento sustentável e o fato de poderem gerir as suas operações de forma a fomentarem o crescimento econômico e aumentar a competitividade, garantindo concomitantemente a proteção ambiental e a promoção da responsabilidade social.

Já a Cidadania Empresarial é a aplicação da responsabilidade social. A cidadania é a conseqüência da responsabilidade. Só existirá cidadania empresarial se antes houver responsabilidade social. Cidadania das empresas, tal como definida pela ONU, é a gestão do conjunto de relações entre uma empresa e as suas comunidades de acolhimento a nível, local, nacional e global.

A União Européia em 2001, destaca a co-responsabilidade das empresas em garantir um crescimento econômico sustentável, com maior coesão social. O Livro Verde da Comissão Européia para promoção de um quadro Europeu para Responsabilidade Social Empresarial, publicado em 2001, teve como objetivo tornar este conceito estratégico dentro das empresas, orientando as lideranças a adotarem melhores práticas como o diálogo, estímulo à aquisição de compentências, igualdade de oportunidades, previsão e gestão da mudança organizacional para aumentar grau de alinhamento a fim de tornar efetiva a RS.

O Livro lançou um amplo debate para explorar ao máximo as expectativas existentes e incentivar o desenvolvimento de práticas inovadoras, valorizando a trasnparência e estimulando parcerias mais estreitas para que todas as partes tivéssem um desempenho ativo

A prática da cidadania empresarial trás à empresa promotora valor agregado à imagem, lideranças mais conscientes e socialmente comprometidas, melhor clima organizacional, satisfação, motivação, reconhecimento, orgulho, refletindo na construção permanente da reputação da marca.

(Fontes: www.agenda21empresarial.com.br, fgvonline, www.revistaeletronica/pucrs.org.br, Livro Verde da Comissão Européia (2001), Almeida, Patrícia “Ética e Responsabilidade social nos negócios” e  página oficial da ONU).

sexta-feira, 28 de maio de 2010

“Tomamos emprestado de nossos bisnetos este planeta”

Temas emergentes e urgentes:
Por que falar e estudar tanto sobre sustentabilidade e desenvolvimento sustentável?

Como é difícil aceitarmos as mudanças! Sairmos do comodismo, se tudo deu certo até agora, porque mudar? É preciso entender o porquê da necessidade da transformação do modelo de desenvolvimento em descompasso com o meio ambiente, que nos expôs aos cataclismos e põe em risco o futuro das próximas gerações.

Somente o diálogo e as trocas de ideia são capazes de transformar nosso estilo de vida. A nossa rede de relacionamento tem muito valor hoje. As empresas de ponta têm isto como norte, injetado no seu DNA. Se a iniciativa privada dá valor a conscientização do seu papel social, cada um de nós individualmente e em família, também somos co-responsáveis pelos problemas sociais e ambientais.

Se não nos preocuparmos com os temas emergentes e urgentes seremos cada vez mais vítimas de nós mesmos ou estaremos sempre passivos diante das decisões top to down. Temos que buscar informação para nos tornarmos elementos multiplicadores da educação ambiental e de uma forma mais consciente de consumo, que evite desperdícios e exageros e que inclua entre nossas marcas preferidas aquelas que também se preocupem com o futuro da humanidade.

É preciso que se faça isso agora! É urgente! Não porque o planeta vai acabar e sim para nos mantermos vivos, com menos abismos entre os povos e preparar um mundo melhor para as futuras gerações. 

Só o conhecimento é capaz de engajar as pessoas. A sociedade informada e alinhada com os temas atuais é capaz de imprimir ritmo à transformação para uma economia mais verde. Não que tenhamos que de uma hora para outra deixarmos de lucrar, apenas temos que lucrar e consumir de forma mais consciente e igualitária e sustentável.

Estamos falando de: sustentabilidade, desenvolvimento sustentável, atores sociais e responsabilidade social. Como já foi explicado no blog, estes conceitos são discutidos faz tempo. Mas nunca, em momento algum da história eles foram tão relevantes e presentes, sejam pelas mídias sociais ou pelo impacto crescente das atividades econômicas insustentáveis.

Mas por que pensar e estudar tanto sobre sustentabilidade e desenvolvimento sustentável?

Porque somos cidadãos de um dos poucos países que ainda conta com imensas áreas disponíveis para ocupação e com condições de fazê-la. Porque nenhum deles tem tanta diversidade biológica a ser investigada, preservada e aproveitada como o Brasil. E Porque “tomamos emprestado de nossos bisnetos este planeta” e teremos que devolvê-lo em condições para que realizem com liberdade e segurança as atividades futuras.

Essas características posicionam o Brasil como ator importante nas decisões multilaterais na busca por soluções para os descompassos planetários. Para tanto as pessoas tem que estar alinhadas e informadas sobre estes valores.

Leia também outras postagens no blog!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

LINHA DO TEMPO SUSTENTÁVEL

EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA SUSTENTABILIDADE:
COP15
O ponto de partida para esta linha do tempo foi uma das primeiras catástrofes ambientais graves que fez sociedade, governo e setor privado refletirem sobre o insustentável paradigma de desenvolvimento unidimensional. Leia também: adendos sobre sustentabilidade, que aponta datas anteriores a esta e traz outras informações.
1956 – Lei do Ar Puro na Inglaterra, primeiros danos da intervenção do homem no meio natural, externalizados os custos ambientais na saúde e na qualidade do ar na Inglaterra, o parlamento inglês aprovou a 1ª lei destinada a poupar o meio ambiente e humano das atividades econômicas;
1962- Livro “Primavera Silenciosa”, estudo que evidenciava a diminuição das aves nas áreas rurais onde o DDT era utilizado como pesticida;


1968 – Conferência da Biosfera – aspectos científicos UNESCO e Constituição do Clube de Roma http://migre.me/Hnnd  Fundado por Aurelio Peccei, industrial e acadêmico italianao e Alexandre King, cientista escocês. O Clube tornou-se conhecido em 1972 com a publicação de um relatório conclusivo elaborado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) chamado de "Os Limites do Crescimento". Livro sobre meio ambiente mais vendido na história, 30 milhões de cópias. O Clube tem sede atual na Suiça e continua influenciando o mundo com seus relatórios. Recentemente, o Fator 5 - Novo Ciclo para Economia - foi publicado por um de seus membros e propõe caminhos para uma economia mais verde. Segundo a obra, a nova economia se baseia na utilização mais racional dos recursos e da produtividade e sugere outras formas de tributação. A taxação deveria se concentrar numa forma de controle da extração de matérias-primas e na produção mais limpa de todos os produtos, não tanto sobrecarregar os empregadores no momento de contratação de trabalhadores, o que estimularia a geração de novas empresas e novos postos de trabalho. 


1971- Painel de Founex (acima), que identificou desenvolvimento e meio ambiente como “dois lados da mesma moeda”, ainda com noção de ECODESENVOLVIMENTO;
1972 – Publicação “Limites do Crescimento”, Dennis Meadows, Crescimento Zero X teorias do crescimento econômico, propalado pelas teorias econômicas e Conferência de Estocolmo – ONU sobre o Meio Ambiente Humano (1º grande encontro das nações sobre o assunto)
1982 – PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, comemora os 10 anos da Conf. De Estocolmo;
1983- Criação da Comissão Mundial Independente sobre Meio Ambiente que lançou a Estratégia Mndial de Desenvolvimento que visava harmonizar o desenvolvimento socioeconômico com o meio ambiente;
1987 – Relatório Brundtland e a definição do valor DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL “a habilidade das sociedades para satisfazer as necessidades do presente sem comprometer a possibilidade das futuras gerações de atenderem a suas próprias necessidades”.
1988 – A ONU propõe a Rio 92 para discutir as conclusões do Relatório Brundtland e comemorar 20 anos da Conferência de Estocolmo.
1992 - Rio Eco 92 um MARCO na evolução da discussão sobre DESENVOLVIMENTO e Meio Ambiente(que incluiu todas as necessidades dos países em desenvolvimento e as relações com organismos internacionais);
1997 - assinatura do acordo de redução em 5% de emissão do GEE´s até 2012 quando expira o documento, 189 nações participaram do encontro na cidade japonesa de Kioto (ao lado). Apenas Austrália e EUA ficaram de fora. Único tratado que obriga redução de emissão de CO2 entre os países industrializados.
2007 - 13ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, em Bali, na Indonésia, os 187 países participantes concordaram em iniciar negociações para formular o substituto de Kioto, que deverá entrar em vigor em 2013. Com a mudança de governo os australianos voltaram atrás e ratificaram o acordo. Edição do Mapa do Caminho que prevê acordo climático até Copenhangen.
2009- 15ª Conferência do Clima em Copenhague, na Dinamarca. O acordo na COP15 limitou em 2º (graus) o aumento da temperatura em relação a era pré-industrial, manteve responsabilidades diferenciadas entre países ricos e pobres e obteve consenso em temas como a necessidade de ajuda financeira e tecnológica aos países em desenvolvimento, com repasse de conhecimentos que os ajudem a progredir de forma sustentável. Mas o desapontamento foi geral, o reusltado final da COP 15 não representou um acordo climático vinculante, com força de lei.
2010 – Conferência do Clima da ONU prevista para os dias 31 de maio a 11 de junho na cidade de Bonn, Alemanha e COP 16 prevista para 29 de novembro no México deverá focar em obrigações mais severas.

...2013 - Novo acordo será estabelecido com a esperança de que sejam ampliadas as metas de redução de emissão de GEE´s, que os países emergentes como os Bric´s sejam incluídos assim como nas metas de redução de desmatamento, um desafio para o Brasil. Espera-se que o novo tratado não imponha limitações de cunho imperialista, que prejudiquem o comércio exterior desses países sob a justificativa de não cumprimento às metas de cadeia produtiva sustentáveis e que se leve em conta todos os avanços conquistados e que outros sejam firmados desde o início das Rodadadas de Negociação promovidas pela OMC, em Doha.

Mix de fontes: FGVoline, Veja.com abril de 2008 e Blog Economia e Meio Ambiente, Amalia Godoy, amazonialegal.com.br, EMBRAPA.org.br, ultimosegundo.ig.com.br, http://www.clubofrome.org/).

quarta-feira, 26 de maio de 2010

FGV_ADENDOS SOBRE SUSTENTABILIDADE

Resumão Curso FGVonline - História da Questão Ambiental
A questão ambiental é um valor bem mais antigo do que imaginamos.

“Os custos ambientais das atividades econômicas aparecem quando a capacidade de assimilação do meio é ultrapassada”, afirma Haroldo Mattos Lemos, do Instituto Brasil PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) e orientador do curso à distância sobre Gestão Ambiental da FGVonline. 

Ao longo de nossa História ultrapassamos exorbitantemente os limites da natureza. Apesar de ainda perpetuarmos os erros do passado, hoje, o planeta se esforça para manter e ampliar o desenvolvimento preservando o meio ambiente. Mas esta preocupação não é recente, nem exclusiva da Geração Y.

As ações e discursos do passado em prol da ecologia eram muito mais intuitivos e bem menos contundentes, expressivos e técnicos. O fato é que existiram, e de certa forma contribuíram para a formação do cenário contemporâneo.

No Brasil, por exemplo, o primeiro reflorestamento usando espécies nativas se deu em 1862, por ordem de D.Perdo II. A atual Floresta da Tijuca (RJ), elevada a Reserva da Biosfera em 1991, tem na sua história a devastação provocada pelo cultivo do café, que desmatou a floresta, para que fossem erguidas as lavouras, e fez crescer a população junto às nascentes dos rios.(fonte:Associação dos amigos do Parque da Tijuca)

A falta de vegetação e a ausência de chuvas teve como conseqüência a diminuição dos mananciais, e o custo ambiental desta atividade econômica foi a escassez de água, o que levou D.Pedro II a ordenar o reflorestamento. O replantio durou 10 anos e trouxe de volta a mata, a água e todos os animais.

A Floresta da Tijuca tem hoje 33 km² de extensão e é considerada a maior floresta urbana do mundo. Localizada no coração da cidade, a Floresta de Mata Atlântica proporciona aos cariocas e turistas paisagens deslumbrantes, lazer e muito esporte ao ar livre. O ciclismo e a corrida praticados pelas estradas de acesso ao Parque Nacional da Tijuca são bem populares entre os praticantes mais arrojados que buscam treinos de maior intensidade. (Foto: Mesa do Imperador mar/2010 Eu e os professores Marcelo Simões e Bruno Amin).
Outro exemplo remoto ocorreu em 1908, nos Estados Unidos. O então Presidente Theodore Roosevelt fez o seguinte discurso:

“Enriquecemos pela utilização pródiga de nossos recursos naturais e podemos, com razão, orgulhar-nos de nosso progresso. Chegou, contudo, o momento de refletirmos sobre o que acontecerá quando nossas florestas tiverem desaparecido, quando o carvão, o ferro e o petróleo se esgotarem, e quando o solo estiver mais empobrecido ainda, levado para os rios, poluindo suas águas, desnudando os campos e dificultando a navegação”. (FGVonline).

Esta visão unidimensional do "progresso" como enriquecimento e poder, fez o homem acreditar que poderia manipular o meio natural e em seguida abrir mão dele, que resolveria problemas específicos sem medir os impactos no meio ambiente.

Desde a Revolução Industrial até pouco tempo atrás a sociedade considerava o meio ambiente um BEM LIVRE, todos tinham o direito de usar à vontade. Este conceito só mudou quando o homem começou a perceber os perigos de se pressionar os sistemas biológicos.

Dois fatos exigiram ação governamental , o processo de crescimento econômico do Pós-Guerra, que desencadeou alta produção industrial e consequentemente poluiu o ar e as águas, externalizando os danos na sociedade sob a forma de perda da saúde, prejuízo social e material. O outro fato foi justamente uma reação da sociedade que, mais conciente, exigia informações a cerca das questões ambientais e de como o mercado as tratava.

O primeiro grande desastre ambiental decorrente da discricionariedade da exploração dos recursos naturais aconteceu em Londres na década de 1950. A inversão térmica causada pela queima de carvão provocou 1.600 mortes e mais de 20 mil casos de doenças.

Em 1956, o parlamento inglês sancionou a Lei do Ar Puro, que proibia o uso doméstico do carvão e obrigava os industriais a controlarem a poluição do ar. Essa legislação influenciou as demais e acelerou o surgimento dos movimentos ambientalistas. (FGVonline).

Para comprovar que os custos ambientais recaiam sob a forma de danos à saúde humana e danos materiais, a jornalista americana Rachel Carson escreve “Primavera Silenciosa”, em 1962. Este livro denunciava o desaparecimento dos pássaros nos campos dos Estados Unidos, provocado pela utilização do pesticida DDT na agricultura.

Os efeitos negativos e a visão unidimensional do sistema de produção capitalista, que prioriza a maximização do lucros sem assegurar que os ecossistemas e a biodiversidade sejam preservados ,  estimulou questionamentos sobre as atividades humanas e pressionou os governantes a se posicionarem frente a essas discussões. Foi então que a partir de 1971, com o Painel de Founex, começa a ser construído o conceito de SUSTENTABILIDADE, ainda com a noção de ECODESENVOLVIMENTO.

O Painel Founex identificou desenvolvimento e meio ambiente como “dois lados da mesma moeda”, defendendo que esses conceitos não eram incompatíveis: a conservação do meio ambiente não era barreira para o desenvolvimento, mas parte do processo em construção. (site:EMBRAPA).

O termo desenvolvimento, segundo Lemos, “é complexo demais e irredutível a poucas variáveis econômicas”. Para Amartya Sen (1981) economista indiano o desenvolvimento de um país está essencialmente ligado às oportunidades que ele oferece à população de fazer escolhas e exercer sua cidadania. E isso inclui não apenas a garantia dos direitos sociais básicos, como saúde e educação, como também segurança, liberdade, habitação e cultura.(Wikipedia)

“Desenvolvimento é o processo de ampliação da capacidade de realizar livremente atividades” - Amartya Sem. (Leia mais sobre DESENVOLVIMENTOxCRESCIMENTO ECONÔMICO neste blog)

Em 1996, James Wolfensohn, presidente do Banco Mundial disse: “sem desenvolvimento social concomitante, nunca haverá desenvolvimento econômico satisfatório”.

Lemos, em seu curso à distância da FGVonline, narra os acontecimentos que antecederam a definição do conceito de desenvolvimento sustentável, perpetuado até os dias de hoje. A cronologia destaca que em1981, a União Internacional para a Conservação da Natureza – IUCN – e o Fundo Mundial para a Vida Selvagem – WWF –, com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – PNUMA –, lançaram a Estratégia Mundial para a Conservação – World Conservation Strategy. Que visava harmonizar o desenvolvimento sócio-econômico com a conservação ambiental.

A Estratégia Mundial para a Conservação lançou o conceito de desenvolvimento sustentado, que, entretanto, seguia basicamente as mesmas linhas do ecodesenvolvimento, lançado na Conferência de Founex, em 1971, mas com mais ênfase na preservação da biodiversidade.

Em 1982, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente resolveu comemorar, em Nairobi, Quênia, os dez anos da Conferência de Estocolmo (1972). Em pauta: os problemas ambientais globais, que começavam a indicar que a geração de resíduos e poluição pelas atividades humanas já estava excedendo, em algumas áreas, a capacidade de assimilação da biosfera, de autodepuração e a velocidade de devastação era superior a de regeneração natural.

Em 1983 foi aprovada e encaminhada às Nações Unidas a proposta mais ampla, que criou a Comissão Mundial Independente sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, presidida pela Sra. Gro Harlem Brundtland, ex-Primeira Ministra da Noruega.

A Comissão produziu em 1987, um relatório final: O Relatório Brundtland, em homenagem a Presidente da referida comissão, conhecido pelo título "Nosso futuro Comum” que definou a sustentabilidade global como: “a habilidade das sociedades para satisfazer as necessidades do presente sem comprometer a possibilidade das futuras gerações de atenderem a suas próprias necessidades”.

Revisando criticamente: atualmente vive-se um ambiente mais democrático, que impõe uma percepção mais humanista das atividades, valoriza-se as pessoas e suas escolhas são determinantes para o futuro.

Nós contribuímos diariamente para o aquecimento global! (Leia LOCAL ACTION neste blog).

Lemos conclui que a colaboração entre poder público e sociedade e a adoção de uma nova política social são elementos indispensáveis do desenvolvimento sustentável. "É preciso reformar o capital social, e ver o homem como ator social, resgatar sua CULTURA, que é onde a sociedade tece seus valores e o trasmite de geração em geração. Os valores positivos favorecem a equidade e a justiça social".

Acesse os cursos gratuitos da FGVonline
http://www5.fgv.br/fgvonline/CursosGratuitos.aspx

terça-feira, 25 de maio de 2010

14ª Internacional Conference on CORPORATE REPUTATION, brand, identity and competitiveness

Entre os dias 19 e 21 de maio aconteceu no Rio "a melhor conferência em 14 anos", como constatou o chairman do Reputation Institute (RI) Dr. Charles Fombrun.

O RI http://migre.me/Hb2U%20é é voltado para as lideranças organizacionais com objetivo de disseminar conhecimentos sobre reputação corporativa e promover consultorias especializadas para as companhias interessadas em medi-la.

Fundado em 1997, tem sido pioneiro e uma das principais ferramentas globais de mensuração deste que é o principal ativo das empresas modernas.

Em 2006, RI lança o prêmio Global Reputation Pulse, estudo que identifica quais são as empresas mais respeitadas do mundo e quem são as pessoas mais engajadas na experência fascinante de encantar pessoas.

O Prêmio é resultado de pesquisa e análise sistemática do mercado e divulgado anualmente em Conferências do Instituto. Este ano o Brasil, Rio de Janeiro, teve a honra de sediar este evento.

Neste blog, a partir desta postagem, todo o aprendizado destes três dias de encontro será compartilhado com vocês, por que eu acredito que este conhecimento não possa ficar restrito ao mundo acadêmico-empresarial. Tudo o que foi dito naquele hotel no Rio de Janeiro só encontrará sentido se ele for energizado entre todas as pessoas, de todos os níveis sociais e intelectuais.

Se você não esteve no #ririo 14ªConferência do Corporate Institute...

...assista o encerramento deste encontro sobre reputação corporativa e sustentabilidade, breve vídeo gravado pelo participante Rodrigo Neiva
http://www.twitvid.com/4F0AO

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Sete Maravilhas Naturais

Recentemente estive nas Cataratas do Iguaçú (veja VideoClip do Macuco Safari - Amigos Aprazivelenses) http://migre.me/IbCB. Fiquei com o coração apertado ao saber que esta que já é uma maravilha natural está concorrendo com a Amazônia para ser uma das 7 Maravilhas Naturais do Planeta. Infelizmente não fui à Amazônia, ainda! Mas tenho um receio quanto fluxo de turistas que o resultado desta eleição possa trazer para a Amazônia e seus impactos. A maior floresta do mundo é de difícil acesso, difícil fiscalizar. Temo pelas construções irregulares para recepcionar os estrangeiros. Como essas "pousadas" irão instalar sua energia, tratar esgoto e  lixo, consumir água e educar os visitantes quanto aos limites de suas atividades.
Os grandes desafios são também grandes oportunidades para inovar, com construções ecoeficientes e criação de uma economia verde, integrando entre sociedade, governo, ONG´s e comunidade local com foco no turismo socialmente responsável e ambientalmente sustentável.
Estive em Foz, como já disse, e lá já existem 35 mil leitos prontos a espera dos visitantes e uma população que vive deste turismo. Eles são muito eficientes, sabe aquela educação sulista? Todos preparados, instruídos e muito gentis. Valorizam o seu dia-adia dedicado ao turismo. Ah! quem dera o Rio fosse assim! não me preocuparia tanto com os grandes eventos que virão! Além disso durante a viagem chorei! Chorei impressionada com o poder da NOSSA natureza e eu e meu marido concluimos que não há divulgação para as Cataratas, digo internamente mesmo, aqui no Brasil. Minha sogra esteve nas Cataratas do Niagara e disse que não chega aos pés das nossas e o brasileiro deve conhecer mais a dos gringos do que a sua p´ropria riqueza. Indico! E vou votar nas Cataratas pelo simples espírito de preservação da Amazônia. http://www.cataratasdoiguacu.com.br/canion_iguacu.asp

Grupo Corpo

Cultura e conhecimento são ferramentas sociais que contribuem para o despertar dos valores positivos. Sensibilidade, respeito, humanismo, inovação, tecnologias voltadas para desenvolvimento sustentável, possibilitar igualdade de oportunidades e liberdades de escolha a todos os povos: ISSO É DESENVOLVIMENTO!

Grupo Corpo

Cultura e conhecimento são ferramentas sociais que contribuem para o despertar dos valores positivos. Sensibilidade, respeito, humanismo, inovação, tecnologias voltadas para desenvolvimento sustentável, possibilitar igualdade de oportunidades e liberdades de escolha a todos os povos: ISSO É DESENVOLVIMENTO!
Grupo Corpo

sábado, 8 de maio de 2010

The Known Universe by AMNH

Nós Digitais I - Projeto ESPM 2010

Comunicação e o aparecimento da Vida


O debate foi sobre CONTEMPORANEIDADE E O IMPACTO DAS NOVAS MÍDIAS e aconteceu no Teatro OI Casa Grande, Leblon Rio de Janeiro. O local, segundo o coordenador do Projeto Vinícius Andrade Pereira, foi escolhido por trazer a idéia de “grande meio, multimídia e interativo, uma grande rede que ampara e ao mesmo tempo constrange, metáfora de NÓS mesmos”.

Nesta primeira etapa do Projeto, a comunicação foi estudada sob o instigante olhar da ciência, resgatando o aparecimento da vida e as sínteses que resultaram na sua origem. A palestra “A comunicação como troca de informações físicas” foi ministrada por Luiz Alberto de Oliveira, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas da UFRJ.

O físico primeiro analisa a comunicação como um processo, um sistema em que há o emissor, o meio onde ocorre o FLUXO de mensagens e o receptor. As movimentações erráticas seriam os ruídos de comunicação. Os meios, por onde circulam as informações, seriam subdivididos em domínios dentro dos quais se formariam padrões de comunicação.

Para exemplificar, Luiz cita a VIDA como um domínio dentro do meio que seria o PLANETA. Acesse agora o vídeo do The American Museum (AMNHorg) - logo a cima, na postagem anterior - para entender a dimensão do meio em que trocamos nossas experiências. Ou acesse o link: http://www.youtube.com/watch?v=17jymDn0W6U

Antes da vida, havia um planeta, em intensa transformação. As variações climáticas extremas pelas quais o nosso planeta passou, resfriamento e aquecimento intensos, produziram resíduos de matérias que sofriam modificações durante esta cadência de alterações do meio frio para o meio quente e vice e versa.

Em um determinado momento, este conglomerado de matéria orgânica passou a se combinar e a reagir seus componentes químicos uns com os outros. Esses organismos que se reagiam inventaram o “truque” de se replicarem. Cópia–repetição–replicação, esta seqüência de acontecimentos produzia gerações após gerações, sempre com pequenas diferenciações, erros. De tempos em tempos as gerações se inovavam.

“Matéria orgânica que se repete e se reinventa representa o surgimento da VIDA!” – afirma Luiz. A vida apareceu na Terra por um processo de associação ritmada entre a escala molecular e as variações do meio, a escala astrofísica. Essas reações em contato com centenas de milhões de anos de transformações na superfície terrestre foram se reinventando e se modificando, assumindo características que a mantivessem vivas, ativas, se adaptando e evoluindo conforme as exigências do meio.

Alcançamos um determinado grau de saturação dessas reações, mas não deixamos de manter a cadência de sínteses dentro de nós. Tanto que Luiz garante que “a cada sete anos, trocamos todos os átonos do nosso corpo, somos fisicamente outros”.

Uma das adaptações microscópicas de maior relevância para a continuidade e diversificação da vida, segundo Luiz, foi a invenção da MEMBRANA. Esta película é a que seleciona os fluxos, “e diz o que o vivo representa”. “A membrana é um meio de comunicação, ela separa, e também conecta, o dentro do vivo do fora do vivo” - explica ele.

Através da seleção desses fluxos que entram, pela membrana, e atingem a parte viva - onde contém os elementos que são capazes de se unir e se repetir, gerando NOVOS vivos – é que a membrana representa, segundo o físico, um presente imóvel, que não anda. Hoje, vivemos um presente móbil, que se movimenta ao longo da linha do tempo, dos dias, das noites, das horas e dos minutos.

- A membrana é um presente imóvel, onde presente e futuro se encontram e o resultado é a modificação da geração passada, ou do seu próprio passado – explica Luiz.

Para ele essas sínteses comunicativas e associações bioquímicas constituíram a primeira REDE DE COMUNICAÇÕES. Esta rede foi decisiva para configurar a DIVERSIDADE de organismos.

Voltando ao início da palestra ele reafirma que VIDA é um domínio de invenções, que “repetir é fazer proliferar as diferenças”.

Ele lembra que na História da Vida houve os ciclos de extinção. “Diferentes se associam numa certa cadência e são submetidos às transformações ambientais dando origem a outros arranjos. Portanto, novas vidas são testadas. Essa estrutura dá origem a uma natureza que descobre as potencialidades das formas naturais.

Vida é o dobramento da matéria sobre si própria. No vídeo Nature By Numbers, acesse pelo link ou na postagem seguinte a esta, podemos perceber como a natureza se recria ao comando de fórmulas numéricas complexas. http://www.youtube.com/watch?v=kkGeOWYOFoA&feature=fvst

O nosso racional, o pensamento impôs nova cadência sobre os ritmos da vida. Matéria – vida e pensamento são também domínios comunicativos. Na visão de Luiz o pensamento é fruto das reações mais complexas e evoluídas das nossas moléculas é “comunicação gerando comunicação, é a comunicação como troca de informações físicas”.

-Se o pensamento é um produto da saturação comunicativa de nosso organismo. Que influência tem esta saturação sobre a contemporaneidade? – pergunta o coordenador do projeto Vinícius Andrade Pereira.

Luiz responde que somos “antologicamente marrentos”, justamente por manipularmos nossa natureza biológica e terrestre, para o bem e para o mal, ao longo do nosso processo evolutivo. “Nos dias de hoje, pensamos na reforma da espécie humana, através da nanotecnologia e lançamos mais gases na atmosfera que os vulcões”.
Este foi o primeiro encontro do projeto Nós Digitais, que procurou analisar as teorias da comunicação a partir do surgimento da vida. Para encerrar, Luiz propõe uma reflexão sobre o futuro e lança uma pergunta no ar:

-Será que o capitalismo vai se estender no tempo?

Até o próximo!

Nature by Numbers

domingo, 2 de maio de 2010

Mais sobre o Petróleo

A campanha “O Petróleo é nosso”, em 1953, culminou com a criação da Petrobras, um monopólio estatal na época que hoje é uma empresa de sociedade mista, com capital aberto, com objetivos de  lucro. Com o corpo técnico funcionando de modo sinergético a Petrobras detém tecnologia de obter petróleo e gás em águas profundas.

A descoberta do pré-sal foi em 2007 e só no dia 1º de agosto de 2009 o presidente Lula apresenta o novo marco regulatório, que descreve como deverão ser os contratos, a distribuição das receitas e a formação dos consórcios de exploração da riqueza.

A energia oriunda de combustíveis fósseis são ditas energias sujas, pois sua queima emite CO2, uma das substâncias que contribui para o aumento da temperatura do planeta. Há expectativa de que até 2030 80% da matriz energética continuarão sendo, petróleo e demais combustíveis fósseis como carvão e gás. Petróleo e poluição andam juntos.

O Brasil começará a explorar o petróleo do pré-sal em 2020 e provavelmente o tempo de exploração até o esgotamento do recurso será de 30 a 50 anos. O desafio para o Brasil será encontrar o equilíbrio entre a produção, consumo e emissão de CO2. Até lá as metas de seqüestro do gás serão bem maiores. Por isso, o Brasil deve ter um planejamento de desenvolvimento de energias alternativas e renováveis como a solar, eólica, geotérmica(de atividade vulcânica), biocombustível e hidrelétrica.

A energia nuclear não emite CO2, mas há o risco de acidentes radioativos e a questão dos resíduos, lixo atômico. Portanto, não deve ser vista como energia limpa. Para Marcelo Furtado, do Greenpeace, o enriquecimento de urânio no Brasil virou moeda de troca com o Irã.

Eles nos cedem tecnologia e nós assumimos o discurso de que “temos como fazer a bomba atômica e exportamos alimentos para eles”. É o mundo pela ótica de segurança militar e não pelos potenciais de cada nação, afinal nós temos que proteger as ”Amazônias Verde e Azul”.

O economista Carlos Lessa, ex-presidente do BNDES, explicou em palestra no Sindicato dos Jornalistas, em 2009, que a energia propulsiona a humanidade, que tudo começou quando o homem descobriu as ferramentas, depois pelo uso dos animais, com a mecânica, com as matrizes energéticas até o homem chegar à lua.

Carlos Lessa lembra da importância da obra do escritor Monteiro Lobato, que conta como Visconde de Sabugosa se aventurou a descobrir petroleo nas terras do Sítio do Picapau Amarelo. Como antecipação de um sonho possível de ser realizado, uma visão da imaginação de Monteiro Lobato, o primeiro poço de petróleo brasileiro foi encontrado no Sítio do Picapau Amarelo de Dona Benta, em 1938; e ficou registrado neste livro: O Poço do Visconde, em 1937. (wikkipedia)

A descoberta oficial de petróleo no Brasil ocorreu em 1939. Por capricho do destino o primeiro poço jorrou em Lobato, um bairro na periferia de Salvador (BA) cujas terras haviam pertencido a um fazendeiro chamado Lobato, embora ele não tivesse qualquer vínculo com o escritor.

Monteiro Lobato era mesmo um visionário, em 1920, quando trabalhou como adido comercial do governo brasileiro nos Estados Unidos se familiarizou com a evolução da indústria automobilística e compreendeu a importância que o petróleo teria nas décadas vindouras e instigava os meios de comunicação a discutir a relevância do petróleo para a independência economica do Brasil.

Em 1935 publicou, pela Companhia Editora Nacional, o livro A luta pelo petróleo, traduzido por Charlie Frankie e revisado por Lobato, do anglo-americano Essad Bey, no qual se acusava o governo brasileiro de “não tirar petróleo e não deixar que ninguém o tire”. No ano seguinte, escreveu O escândalo do petróleo, provocando a multinacional Standard Oil, pois nessa obra Lobato levantou a questão do petróleo como sendo uma questão de soberania nacional. Monteiro Lobato chegou a ser preso por Getúlio Vargas acusado de desmoralizar o Conselho Nacional do Petróleo .

Ter petroleo é ter poder, um poder com responsabilidade baseada na biopolítica capaz de considerar tanto o bem-estar das pessoas como o do planeta. A Petrobras descobriu a Província do Pré-sal, em 2007, um Eldorado que vai do litoral de Santa Catarina passando por São Paul, Rio até o Espírito Santo, atingindo a Plataforma Continental.

A legislação internacional diz que plataforma continental é terra de ninguém, por isso corremos risco, diz Lessa. Temos que fugir das análises reducionistas em relação à reativação da frota mercantil dos EUA, o aumento de contigente de americanos na base militar da Colômbia e a desestabilização de Hugo Chavez.

Nosso desafio é a ENERGIA - Resumão III

Opções energéticas para manter e ampliar o desenvolvimento
e os impactos no meio ambiente e no tecido social

A única energia limpa que existe é a que não se necessita! O que existe são energias menos degradantes tanto para o meio-ambiente quanto para o tecido social” – Ildo Sauer professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP.

Foi com esta frase que Ildo abriu sua palestra no dia 13 de abril de 2010 na Conferência “O que é Política Verde Hoje”, organizada pela Fundação Heinrich Böll em comemoração aos 10 anos de atuação no Brasil.

A frase de Ildo aponta para o desafio a ser enfrentado pelo mundo em termos energéticos. Ele afirma que “NÃO EXISTE ENERGIA LIMPA”, que mesmo as renováveis têm impactos negativos.

O site da ONG Planeta Sustentável cita as cinco modalidades de energias “limpas” e em cada uma delas descreve os prós e contras.

Os parques eólicos, por exemplo, além de causarem poluição visual, às vezes sonoras também, muitas vezes, provocam a morte de aves. As hidrelétricas de grande porte já desalojaram no Brasil cerca de 330mil pessoas, segundo o Greenpeace. Além disso emitem, devido à decomposição da vegetação submersa, consideráveis quantidades de metano – que contribui 21 vezes mais para as mudanças climáticas, se comparado ao CO2.

Dando andamento à palestra Ildo comentou sobre o PAC 2 e os planos do governo de construir até 2017, 71 usinas hidrelétricas, com capacidade de produção de 29 megawatts. O equivalente a um aumento de 30% em relação ao que se produz de energia hoje no Brasil. Segundo Ildo as hidrelétricas estariam distribuídas da seguinte forma:

• 15 na Bacia Amazônica;

• 13 entre Tocantins e Araguaia;

• 18 no Rio Paraná, área rural densamente povoada por imigrantes alemães e italianos;

• 4 no Rio Uruguai, que concentra descendentes poloneses.

O que se nota é um esforço global para diversificar a oferta de energias renováveis, aquelas não liberem CO2, um dos causadores do aumento do efeito estufa, responsável pelas mudanças climáticas. O Brasil ainda detém a matriz energética mais equilibrada, entre o 30 países mais ricos do mundo, usamos fontes renováveis e não renováveis.

Mas com a descoberta do petróleo do pré-sal, em 2007, o desafio do Brasil em termos energéticos passou a ser: Como planejar um futuro com energia limpa, de baixa emissão de CO2, se daqui a dez anos estaremos iniciando a exploração em nosso território de 5 billhões de barris de petróleo?

Se as energias alternativas custam caro o governo deveria planejar que parte da receita gerada a partir desta “Amazônia Azul”, ou Província do Pré-sal”, seja investida no planejamento de um futuro com matriz energética bem diversificada. Por que caso contrário, o Brasil ficará sem o petróleo e sem energia. Isso é estratégia sustentável.

Mas a exploração do petróleo do pré-sal está prevista para iniciar só em 2020 é preciso então produzir energia a partir do que temos hoje. Do site do Planalto http://migre.me/Ba0C dá para se ter uma ideia das opções de matriz energética que utilizaremos durante os próximos anos. O governo dará prioridade às fontes competitivas, renováveis e de baixa emissão de carbono.

Segundo o site e blog do Planalto estão previstas no PAC 2 a construção de 12 centrais hidrelétricas só na região amazônica, incluindo PCHs (Pequenas Centrais), UHEs (Usinas) e CGHs (Centrais Geradoras de Energia Elétrica). Débora Calheiros, pesquisadora do EMBRAPA no Pantanal, em entrevista à revista JB Ecológico (nº99) alerta para o perigo de se alterar o fluxo natural das águas do Pantanal.

Débora defende a não intervenção no sistema hidrográfico do bioma e Marcelo Furtado do Greenpeace diz que a melhor opção é um mosaico de tecnologias de geração de energia estrategicamente espalhado pelo Brasil e a melhor aplicação desta energia. “A hidroeletricidade é uma das mais sustentáveis, mas temos que levar em conta o tamanho e a localização”.

“Criar barragens em uma região que deveria ser conservada, que é patrimônio nacional da humanidade é temerário” – Débora Calheiros

Professor Ildo acredita que o desafio do Brasil em termos energéticos é encontrar soluções que levem em conta dois aspectos a DEMOCRACIA e a SUSTENTABILIDADE.

Ildo lembra que na Declaração do Direitos Humanos, que data de 1948, não consta a questão da sustentabilidade. Na época ainda não havia essa preocupação. Hoje os direitos defendidos neste documento devem ser incluídos no planejamento de desenvolvimento dos governantes do ponto de vista da sustentabilidade.

Garantir por exemplo o direito à propriedade tradicional originária das comunidades indígenas e de colonos, em torno do Rio Xingu e do Rio Paraná e Uruguai respectivamente, é uma questão pouco dialogada e que tem sido mantida de fora do planejamento do PAC 2.

A construção dessas usinas está baseada na prerrogativa da administração pública de desapropriar “por necessidade pública ou interesse social” sem estratégia para o futuro destes povoados tradicionais locais. Muitas das 330mil pessoas que o Greenpeace aponta terem sido desalojadas por conta da construção de usinas hidrelétricas nunca mais foram reassentadas.

Para Ildo há ainda uma outra questão. “Para onde vai esta energia?” Ele aponta para a resposta: “30% vão para os parques industriais siderúrgicos, alumínio e aço ou para abastecer países vizinhos como o Paraguai, 100% dependente da energia da Itaipu Binacional. Pouco se vê revertido para as comunidades do entorno da usina.

A explicação está no fato de as linhas de transmissões serem interligadas, “se o fluxo for interrompido para fornecer energia para a região local, quando chegar a energia na região sudeste ela não chegará com tanta força” – foi o que explicou uma das guias da Itaipu Binacional.

Um dos principais problemas apontados pelos ambientalistas é a falta de diálogo entre governo e sociedade. Os líderes ainda detêm o nosso futuro. Para Marcelo Furtado além da sociedade não estar mobilizada existe a necessidade de diversificar a agenda, de expandir a discussão, tirar dos ambientes pensantes e ir para rua e de mudar o cenário político.

sábado, 1 de maio de 2010

Introdução: Energia

Assim como os outros assuntos postados em CONHECIMENTO SUSTENTÁVEL, a questão energética também não deveria ser escrita sob o título de “RESUMÃO”. Mas como o objetivo do blog é compartilhar conhecimento adquirido em aulas, livros e conferências, nada melhor do que recorrer ao bom e velho resumo.


O certo mesmo seria reunir estatíscas ilustrá-las por meio de inforgráficos, aprofundar as análises, confrontar ideias, a cada postagem. Mas tudo isso já existe inclausurado dentro dos livros e do meio acadêmico, intelegível para poucos e inalcansável para muitos, seja por limitações socioeconômicas, por falta de desinteresse ou oportunidade.

Eu mesma precisei empreender, investir e ter muita determinação para adquirir um pouco de conhecimento. Não tínhamos a internet 2.0 para disponibilizar conteúdo, dependíamos, e hoje também, de algum intermediário para nos repassar conteúdos.

Hoje, o conteúdo está flutuando na nossa frente, na nuvem de dados virtuais. Mas como ainda não chegamos na era dos chips-auto-solúveis-de-saber temos que correr atrás, se não ficamos para trás.

O objetivo do blog é dividir um pouco do que se apreendeu e apreende nesta maratona, que só tem largada, a linha de chegada é o FIM. Por isso torno público RESUMÕES de cada aprendizado e espero com eles energizar as pessoas e plantar a semente do despertar para um NOVO VIVER.

Carlos Nepomuceno, professor da FACHA e do SENAC, em entrevista à Revista Comunicação 360º (nº 13), diz que “é preciso mesmo estudar muita coisa para decifrar as rupturas que vivenciamos hoje”. Só a academia não dá conta de acompanhar as transformações e oferecer aos alunos embazamento para se tornarem pessoas e profissionais respeitáveis.

O blog tenta contribuir para ampliar a discussão em torno dos assuntos que norteiam esse NOVO VIVER. Tratando de temas que têm relação direta com as nossas vidas hoje e que produzirão impactos negativos, e também positivos, nas gerações futuras.

A intenção da semente (leia mais na postagem LOCAL ACTION http://migre.me/B1yG) que planto em cada postagem é a de despertar o maior número de pessoas possível para a situação de crise a qual o nosso modelo de desenvolvimento nos colocou. E mostrar que mudanças de paradigmas já foram iniciadas para preservação das presentes e futuras gerações.

Mas muito ainda tem que ser estudado e dialogado entre pessoas, governos e iniciativa privada e a questão energética é um dos temas mais relevantes do momento, no Brasil e no mundo. Por isso mesmo mereceu esta introdução.