quarta-feira, 11 de abril de 2012

ESPORTE X SUSTENTABILIDADE - COPA E GESTÃO DE TERRITÓRIO

Área de isolamento ao redor dos estádios é exigida pela FIFA e ignora cultura e desenvolvimento local

Manifestações populares colocam em cheque as vantagens dos grandes eventos

Por que só empresas e sociedade civil buscam se aprofundar na Gestão de Território? Trata-se de uma metodologia de construção de diálogo e de co-criar mecanismos de crescimento compartilhado entre sociedade e as atividades empresariais de empreendimentos que se instalam numa determinada região. Qualquer atividade gera impacto ambiental e social. Com a FIFA não é diferente, ou é?



Como ficam os artesãos das garrafinhas de areia colorida da região do entorno dos estádios em Fortaleza? Pela Fifa isso “NÃO PODE”! A Fifa já patenteou inclusive a frase”Fortaleza, cidade-sede da Copa 2014”. O “Tropeirão do 13” é um prato típico dos arredores do Mineirão. Poderia gerar emprego e renda na região durante o mundial, além de valorizar/exportar tradicional culinária nacional.

Estabelecimentos usam em suas fachadas marcas que não são as patrocinadoras do mundial de Futebol do Brasil em 2014. O raio é de cerca de 2 km a partir da arena e serve para proteger as marcas oficiais, do chamado “MKT de emboscada”.

Foto: Levi Bianco/News Free/Folhapress)

PRIMEIRA EXPERIÊNCIA INDÍGENA DE REDD

4 milhões ao ano até 2038 será a rentabilidade dos índios suruís, da Amazônia, com uma nova commodity, o carbono da floresta mantida em pé.

O projeto com os índios suruís começou a ser desenhado há quatro anos. Em 2008, o chefe da tribo Almir Suruí (37) ganhou fama ao se tornar parceiro do Google para monitorar o desmatamento na terra indígena.



Os desafios foram muitos, desde o envolvimento de 25 aldeias (1350 pessoas) e a expulsão de uma centena de madeireiros,  até demonstrar  para pessoas que mal falam o português que manter a floresta em pé é mais lucrativo a longo prazo.

O mercado ilegal de madeiras gera segregação e desigualdades de renda dentro das comunidades indígenas.
Em 2007, começaram as negociações para implementação do REDD. A ONG americana Forest Trends arrecadou doações para startar o projeto pioneiro. Cerca de US$ 1 milhão de dólares foi o custo da montagem do projeto, parte foi para o Idesam que projetou o quanto seria desmatado até 2038 sem o REDD. A outra parte dos dólares bancou gastos jurídicos para determinação dos direito dos índios ao carbono de suas terras.
Com certificação internacional dos selos Verified Carbon Standard (VCS - avalia criteriosamente a metodologia de avaliação da redução de emissões, dando garantias aos investidores) e Climate, Community and Biodversity (CCB - atesta que o projeto não afeta a biodversidade tampouco os direitos indígenas), os contratos do projeto terão de um lado os suruís de outro empresas interessadas em neutralizar emissões oriundas do ciclo produtivo. É o chamado mercado de REDD (Redução de Emissões por Desmatamento), que compensa financeiramente a manutenção de florestas tropicais e subtropicais mitigando o gás carbônico que causa o aquecimento global.
O dinheiro será aplicado em um fundo soberano destinado a alavancar a economia sustentável, como ecoturismo e a produção agrícola em terras já desmatadas. Um fundo  de estímulo a economia verde na região, ou seja, financiará atividades de baixo carbono .
A FUNAI (Fundação Nacional do Índio) e a Advocacia Geral da União (AGU) investigam 30 contratos deste tipo, um deles é entre índios mundurucus do Pará e uma empresa irlandesa, a Celestial Green que proíbe a tribo de usar a própria terra!!
No caso dos suruís os contratos só foram assinados pela tribo após a validação, antes entregavam suas terras à exploração ilegal de madeireiros.
O REDD NO MUNDO
Trata-se de um mercado mundial com regulamentação prevista para 2020. Em 2010, cresceu 35% e movimenta US$ 250 milhões por ano só com iniciativas voluntárias.
Na aldeia
Os índios têm a obrigação de manter a floresta em pé, com a redução do desmatamento e recebem dos compradores Us$ 8 dólares por tonelada de CO2 não emitida e estes grupos econômicos  “ganham direito” de continuar poluindo, mas compensando suas emissões.
O projeto tem meta de evitar o desmate de 13,5 mil há até 2038.
FONTE: Folha de São Paulo / Segunda 9/04.
MAIS INFOS:
 - ideia(premiação para três e 200 milo de prêmio) – filme e vídeo –
Fotografia linguagem e registro esético diferenciado, mostrar inovação
Inscrição até 15 de maio
Premiação 10 mil reais

segunda-feira, 2 de abril de 2012

GESTÃO DE TERRITÓRIO PARA FIFA É BALELA

Área de isolamento ao redor dos estádios é exigida pela FIFA e ignora cultura e desenvolvimento local.
Por que só empresas e sociedade civil buscam se aprofundar na Gestão de Território? Trata-se de uma metodologia de construção de diálogo e de co-criar mecanismos de crescimento compartilhado entre sociedade e as atividades empresariais de empreendimentos que se instalam numa determinada região. Qualquer atividade gera impacto ambiental e social. Com a FIFA não é diferente, ou é?

Como ficam os artesãos das garrafinhas de areia colorida da região do entorno dos estádios em Fortaleza? Pela Fifa isso “NÃO PODE”! A Fifa já patenteou inclusive a frase”Fortaleza, cidade-sede da Copa 2014”. O “Tropeirão do 13” é um prato típico dos arredores do Mineirão. Poderia gerar emprego e renda na região durante o mundial, além de valorizar/exportar tradicional culinária nacional.

Estabelecimentos usam em suas fachadas marcas que não são as patrocinadoras do mundial de Futebol do Brasil em 2014. O raio é de cerca de 2km a partir da arena e serve para proteger as marcas oficiais, do chamado “MKT de emboscada”.

Foto: Levi Bianco/News Free/Folhapress)

MINÉRIOS DE CONFLITO

Na África Central o minério extraído da República Democrática do Congo está na mão de milícias. A região é rica em minérios diversos. Filmes como "Wolverine" e "Diamante Negro" já retrataram a fúria do ser humano na extração deste recurso.



Derivados de conlimbita-tantalita são matéria prima para a fabricação de celulares e turbinas gigantes, cassiterita vem do estanho e é usada em latas de café e placas de circuito, wolframita compõe lâmpadas e ferramentas mecânicas e o ouro é excelente condutor eletrônico e abastece as joalherias. Estes minérios de conflito estão no foco das preocupações de organizações humanitárias.

Já parou para pensar que um Iphone, anéis, colares e brincos, podem ajudar a armar rebeldes no Congo autores de crimes, como: genocídio, violência sexual e crianças soldados??


Rastrear a origem de cada metal refinado custa caro, cerca de US$ 16 bilhões, conforme reportagem publicada no NYT desta segunda-feira, 2 de abril de 2012. O rastreamento também pode colocar pessoas em risco, segundo a Global Witness, ONG com escritório nos EUA. Este é um dilema que esbarra na capacidade ou incapacidade de as gigantes globais  auditarem seus fornecedores. A Kraft Foods, por exemplo,  criou 40 mil produtos  e usou 100 mil fornecedores, como rastrear quem usou minério de conflito?

O Conselho de Meio A,biente e Sustentabilidade da Industria de Tecnologia da Informação  americano aponta outros “poderes entrincheirados nesses países que contribuem com esses crimes na região”
Desde 2008, a Enough Project tenta convencer os gigantes de tecnologia a desistir de comprar matéria-prima de origem obscura. Segundo o projeto já há inovação por parte da Intel, Motorola e Hewlett-Packard na escolha de seus fornecedores. Em dezembro do ano passado, a ONG fez um ranking com os 21 maiores fabricantes de eletrônicos, classificando o progresso das companhias para combater o uso de minerais retirados de conflitos (veja a lista ao lado). A Hewlett-Packard, a Intel e a Motorola lideraram a seleção por terem começado a vistoriar seus fornecedores e apoiado esforços da indústria para a criação de uma certificação. No pé da lista estão Nintendo, Canon, Sharp e Panasonic que, de acordo com a ONG, não fizeram nada para lidar com o problema.



Da Galileu - Só em 2009, os grupos armados congoleses receberam US$ 185 milhões com a mineração ilegal, de acordo com estimativa da organização americana de direitos humanos Enough Project. “Os valores podem flutuar, mas certamente são suficientes para perpetuar a guerra, comprar armas e pagar soldados”, afirma Aaron Hall, analista de política da entidade. Ou seja, adquirir algum aparelho eletrônico está indiretamente relacionado à manutenção do conflito mais violento do planeta após a Segunda Guerra Mundial. Esqueça o Afeganistão ou o Iraque. Nos últimos 15 anos, os confrontos em terras congolesas mataram 5,5 milhões de pessoas e mais de 200 mil mulheres foram estupradas, de acordo com estudo da ONG International Rescue Committee. Formalmente, a guerra terminou em 2003, mas as batalhas, turbinadas pelas reservas minerais do país, continuam entre os grupos armados que dominam e mantêm as minas.