domingo, 20 de novembro de 2011

Os dilemas da Globalização


Índice para leitura:

1)   Afirmação de Stanley Fisher e definições;
2)   Problematização com Eric Hobsbawm;
3)   Globalização e como ela amplia as desigualdades;
4)   Política Internacional, Comércio exteriro e a globalização;
5)   A “OMC Ambiental”;
6)   Desafios das Organizações Internacionais;
7)   Lado positivo da Globalização;
8)   Resumo dos problemas gerados pela Globalização.
  
(1)Em janeiro de 2003, Stanley Fisher afirmou na Associação Econômica Americana que “globalização é um processo complexo e multifacetado crescente que cria interdependência entre países e seus cidadãos”. Stanley concordou com os críticos da globalização que existem muitos problemas. Segundo ele, alguns são relacionados com a economia, outros não, estariam ligados a “aspectos da vida”, outros surgiriam do “processo de integração, outros não”.
A afirmação do economista Stanley Fisher fornece algumas características da globalização. De fato, a globalização não foi inventada por ninguém. O homem se deparou com a globalização no início do século XIX, com o final das guerras napoleônicas, quando o comércio  cresceu mais do que as economias nacionais e foi necessário ir à busca de novos mercado num processo interrompido com a eclosão da 1ª Guerra Mundial e só retornando após 2ª Guerra Mundial.
(2)Para o historiador Eric Hobsbawm, autor de vários livros e ensaios, o mais recente “Globalization,Terrorism and Democracy”, mesmo com um mercado global tentando escapar do controle estatal o objetivo dos Governos continua sendo maximizar o crescimento econômico de seus próprios países. Tanto que nas últimas décadas vimos o surgimento dos blocos econômicos e regras de protecionismos na agenda das negociações internacionais.  

O processo de globalização é a expansão das negociações empresariais e financeiras e a formação dos blocos mundiais autônomos. Mesmo dentro dos blocos econômicos a tensão entre os estados nacionais é evidente. A concentração política e econômica exige uma negociação interna, entre os atores do bloco para aprovar suas próprias políticas isso reflete-se na integração entre os blocos, e blocos e países.
Portanto, a globalização mantém, e em muitos aspectos amplia as desigualdades econômicas e sociais no planeta.
(3)As desigualdades socioeconômicas estão na origem das crescentes tensões sociais e políticas, como os levantes jovens, “primavera árabe”, e em grupos que tentam reafirmar sua identidade, expõem suas necessidades e a insatisfação com o modelo de distribuição de riquezas atual.

O jornalista Carlos Nascimento reportou alguns males da globalização que são enfrentados por quem está na fase produtiva da vida, tem sonhos e esperanças trancados na agenda da desigualdade: a juventude. O texto foi retirado da cobertura dos 10 anos dos atentados terroristas de 11 de setembro às Torres Gêmeas, nos Estados Unidos e levantou dados alarmantes:
“Há mais de 3 bilhões e meio de jovens no mundo. Boa parte, sem emprego, vivendo em moradia miserável, sem liberdade, sem perspectiva. A pressão os tornam cada vez mais protagonistas de ações criminosas, massacres em escolas, torturas nos morros, atentados à bomba, terrorismo. Uma juventude que se torna isca fácil de grupos que têm a violência como evangelho, que cresceu à sombra de atentados como o 11 de setembro e naturaliza a morte. Eles têm como ambição: o poder e ter, não mais o ser”.

 A ameaça representada pela globalização para o nível de “vida” em termos relativos entre países ricos e os países tão populosos como a China e a Índia e os demais integrantes do BRIC é potencialmente ameaçador do bem-estar social. Para Hobsbawm, por exemplo, os efeitos perversos da globalização são sentidos por grupos como trabalhadores dos países ricos, obrigados a concorrer em condições cada vez mais precárias com a grande força de trabalho dos países em desenvolvimento enquanto perigam os sistemas dos Estados desenvolvidos.

(4)Em termos políticos, onde deveria prevalecer o interesse coletivo, dentro dos processos de tomada de decisão, prioriza-se o interesse dos blocos hegemônicos com poder de veto no Conselho da Organização das Nações Unidas (ONU).
Na virada do milênio os problemas da globalização fizeram com que as questões sociais fossem resgatadas nos fóruns mundiais. Talvez a declaração da Carta da Terra em 2000 tenha impulsionado as manifestações contrárias à globalização que marcaram os Fóruns de Davos, quando a globalização foi apontada pelos manifestantes como sendo a variável agravante das desigualdades sociais.
CARTA DA TERRA diz no preâmbulo que: “À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro reserva, ao mesmo tempo, grande perigo e grande esperança. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos nos juntar para gerar uma sociedade sustentável global fundada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade de vida e com as futuras gerações”.

Protestos como estes, contra a globalização, têm efeito nas negociações internacionais. Não se trata de interromper o  processo, mas de inserir as questões sociais e ambientais nas discussões econômicas e financeiras globais. E isso tem sido feito desde 2001 nos Fóruns Mundiais Sociais e agora com discussões para se criar a “OMC Ambiental”.
(5)A OMC, em sua função tradicional, regula o ambiente de negócios internacionais, faz a mediação de conflitos e tem poder de multar ou aplicar sanções, atuando, bem ou mal, na defesa da ética mundial nas trocas comerciais globais. Os brasileiros Fábio Fieldman e Alfredo Sirkis  (ex-secretários do ambiente de São Paulo e do Rio, respectivamente) e o francês Nicola Sarkosi são autoridades que defendem uma coordenação única de uma entidade internacional para o meio ambiente como uma OMC Ambiental.
(6)Mas essas organizações internacionais foram criadas pelos países ricos e curiosamente são eles que definem as regras do mundo todo. Não tem como ter igualdade  de direitos se os órgão estão vinculados aos maiores e mais poderosos grupos de poder e interesse econômico do planeta. A OMC Ambiental tenderia, da mesma forma, aos interesses dos países ricos. Havendo, portanto, um risco operacional com a tendência de patrulhamento e apropriação dos recursos naturais dos países em desenvolvimento, como o Brasil, colocando em risco a soberania dos países, tal como aconteceu recentemente com as declarações de Hilary Clinton em relação ao mar da China (rota de 1/3 do comércio mundial e com potenciais reservas de gás e petróleo).
(7)A globalização tem uma repercussão positiva também na produção mais competitiva e consumidores beneficiados quando trata-se de problematizar o ponto integração. Apesar do aumento dos preços com esgotamento dos recursos naturais, campos de plantação, e alimentos transformados em commodities, a distribuição dos produtos e serviços via informática transforma o mercado de massa em “massa de nichos” (Ler livro: A Cauda Longa, Chris Anderson) e aumenta as pressões externas nos países de ditadura ou que negam os direitos femininos.
(8)Resumidamente, seguem pontuados os problemas da globalização que não foram claramente citados pelo economista Stanley Fisher:
a)   Aumento da concentração de renda global;
b)   Desemprego entre os jovens;
c)  Consumo de produtos chineses em contrapartida de empregos que são re-locados para este país, provocando desemprego onde antes se tinha estabilidade social.

Ensaio inspirado no trabalho entregue ao professor Luiz Carlos Delorme Prado, para a disciplina Globalização e ética nas Empresas.


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Emprego verde economia verde, que diabo verde é esse?

Green Jobs, crime do colarinho verde, economia verde

Estes termos aos poucos se tornam freqüentes.

O "verde" não é mais tendência, virou moda e regra.
Leis ambientais são cada vez mais exigentes e os consumidores se tornam a cada dia mais conscientes.

Surge então o ecoprotecionismo no comércio internacional, a competitividade  ganha valores intangíveis, nunca antes mensurados. 

Recentemente, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) concluiu no relatório Skills que a nova ordem mundial, ou seja a nova forma de se produzir, distribuir e consumir, chamada por ECONOMIA VERDE, vai precisar de novas competências profissionais.

Traduzindo, a economia verde se expande, mostra seu potencial e exige trabalhadores capazes de pensar em produzir mais, já que a população mundial chegará em 9 bilhões de pessoas e menos pobreza extrema, ou seja mais pessoas com mais potencial de consumo, com menos impacto, menos recursos naturais, ou seja com mais eficiência e eficácia.

A carência desse novo perfil profissiográfico é apontada como um obstáculo para que a economia verde realmente vingue! 

Outro dilema é resolver o problema daquele trabalhador que perde seu trabalho na cadeia de produção tradicional e não tem habilidades e competências para ser absorvido pela indústria mais limpa, ou verde, como queira.

O relatório Skills está disponível no site da ONU economia-verde-demanda-melhoria-da-qualificacao-profissional-diz-relatorio-da-oit