sábado, 10 de dezembro de 2011

REALIDADE INTERLIGADA


Estudando como a Natura trata de reduzir as emissões de carbono em suas atividades descobri que ela, a empresa se inspira nele, Matin Luther King. 
Ela diz que valoriza as relações e ele a integração de tudo! 
Visão sistêmica e holística da vida, dos processos, das empresas.

"Eu não posso ser o que deveria ser, até que você seja o que deve ser. E você nunca poderá ser o que deve ser, até que eu seja o que eu devo ser".
Martin Luther King, Nobel da Paz em 64.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

BOAS NOVAS COP17

MUDANÇA de posicionamento?!

Negociador chefe dos EUA declarou na 17ª Conferência da ONU para o Clima (COP 17), em Durban, África do Sul, que é “mentira que os EUA está adiando para 2020 o pacote de ações para conter as emissões de Gases Efeito Estufa (Gees)”. Estes gases são responsáveis pela mudança climática global. Os EUA vinham rejeitando e se mostrando resistente a proposta da União Européia. O bloco europeu propôs em Durban elevar à categoria de lei os compromisso, até agora voluntários, de todos os países com a redução das emissões dos Gees. O 2º Kyoto entraria em vigor a partir de 2020. O “Fundo Verde” para o clima também foi proposto pelo bloco. A declaração dos EUA levou a União Européia a cancelar a coletiva de imprensa de hoje, para fazer uma análise das declarações do representante dos EUA.
A Ministra brasileira do Meio Ambiente Isabela Texeira disse estar de acordo com o pacote europeu e com a prorrogação de Kyoto, que incluiria novas metas de redução de emissões. A Ministra caracterizou, ainda, esta edição da COP como “colaborativa”. Hoje  e amanhã serão noites decisivas para a compilação do pacote e espera-se a concordância de todos, ou ao menos  boa parte dos países. “O diabo está no detalhe” diz – Sergio Abranches direto de Durban. 

domingo, 20 de novembro de 2011

Os dilemas da Globalização


Índice para leitura:

1)   Afirmação de Stanley Fisher e definições;
2)   Problematização com Eric Hobsbawm;
3)   Globalização e como ela amplia as desigualdades;
4)   Política Internacional, Comércio exteriro e a globalização;
5)   A “OMC Ambiental”;
6)   Desafios das Organizações Internacionais;
7)   Lado positivo da Globalização;
8)   Resumo dos problemas gerados pela Globalização.
  
(1)Em janeiro de 2003, Stanley Fisher afirmou na Associação Econômica Americana que “globalização é um processo complexo e multifacetado crescente que cria interdependência entre países e seus cidadãos”. Stanley concordou com os críticos da globalização que existem muitos problemas. Segundo ele, alguns são relacionados com a economia, outros não, estariam ligados a “aspectos da vida”, outros surgiriam do “processo de integração, outros não”.
A afirmação do economista Stanley Fisher fornece algumas características da globalização. De fato, a globalização não foi inventada por ninguém. O homem se deparou com a globalização no início do século XIX, com o final das guerras napoleônicas, quando o comércio  cresceu mais do que as economias nacionais e foi necessário ir à busca de novos mercado num processo interrompido com a eclosão da 1ª Guerra Mundial e só retornando após 2ª Guerra Mundial.
(2)Para o historiador Eric Hobsbawm, autor de vários livros e ensaios, o mais recente “Globalization,Terrorism and Democracy”, mesmo com um mercado global tentando escapar do controle estatal o objetivo dos Governos continua sendo maximizar o crescimento econômico de seus próprios países. Tanto que nas últimas décadas vimos o surgimento dos blocos econômicos e regras de protecionismos na agenda das negociações internacionais.  

O processo de globalização é a expansão das negociações empresariais e financeiras e a formação dos blocos mundiais autônomos. Mesmo dentro dos blocos econômicos a tensão entre os estados nacionais é evidente. A concentração política e econômica exige uma negociação interna, entre os atores do bloco para aprovar suas próprias políticas isso reflete-se na integração entre os blocos, e blocos e países.
Portanto, a globalização mantém, e em muitos aspectos amplia as desigualdades econômicas e sociais no planeta.
(3)As desigualdades socioeconômicas estão na origem das crescentes tensões sociais e políticas, como os levantes jovens, “primavera árabe”, e em grupos que tentam reafirmar sua identidade, expõem suas necessidades e a insatisfação com o modelo de distribuição de riquezas atual.

O jornalista Carlos Nascimento reportou alguns males da globalização que são enfrentados por quem está na fase produtiva da vida, tem sonhos e esperanças trancados na agenda da desigualdade: a juventude. O texto foi retirado da cobertura dos 10 anos dos atentados terroristas de 11 de setembro às Torres Gêmeas, nos Estados Unidos e levantou dados alarmantes:
“Há mais de 3 bilhões e meio de jovens no mundo. Boa parte, sem emprego, vivendo em moradia miserável, sem liberdade, sem perspectiva. A pressão os tornam cada vez mais protagonistas de ações criminosas, massacres em escolas, torturas nos morros, atentados à bomba, terrorismo. Uma juventude que se torna isca fácil de grupos que têm a violência como evangelho, que cresceu à sombra de atentados como o 11 de setembro e naturaliza a morte. Eles têm como ambição: o poder e ter, não mais o ser”.

 A ameaça representada pela globalização para o nível de “vida” em termos relativos entre países ricos e os países tão populosos como a China e a Índia e os demais integrantes do BRIC é potencialmente ameaçador do bem-estar social. Para Hobsbawm, por exemplo, os efeitos perversos da globalização são sentidos por grupos como trabalhadores dos países ricos, obrigados a concorrer em condições cada vez mais precárias com a grande força de trabalho dos países em desenvolvimento enquanto perigam os sistemas dos Estados desenvolvidos.

(4)Em termos políticos, onde deveria prevalecer o interesse coletivo, dentro dos processos de tomada de decisão, prioriza-se o interesse dos blocos hegemônicos com poder de veto no Conselho da Organização das Nações Unidas (ONU).
Na virada do milênio os problemas da globalização fizeram com que as questões sociais fossem resgatadas nos fóruns mundiais. Talvez a declaração da Carta da Terra em 2000 tenha impulsionado as manifestações contrárias à globalização que marcaram os Fóruns de Davos, quando a globalização foi apontada pelos manifestantes como sendo a variável agravante das desigualdades sociais.
CARTA DA TERRA diz no preâmbulo que: “À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro reserva, ao mesmo tempo, grande perigo e grande esperança. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos nos juntar para gerar uma sociedade sustentável global fundada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade de vida e com as futuras gerações”.

Protestos como estes, contra a globalização, têm efeito nas negociações internacionais. Não se trata de interromper o  processo, mas de inserir as questões sociais e ambientais nas discussões econômicas e financeiras globais. E isso tem sido feito desde 2001 nos Fóruns Mundiais Sociais e agora com discussões para se criar a “OMC Ambiental”.
(5)A OMC, em sua função tradicional, regula o ambiente de negócios internacionais, faz a mediação de conflitos e tem poder de multar ou aplicar sanções, atuando, bem ou mal, na defesa da ética mundial nas trocas comerciais globais. Os brasileiros Fábio Fieldman e Alfredo Sirkis  (ex-secretários do ambiente de São Paulo e do Rio, respectivamente) e o francês Nicola Sarkosi são autoridades que defendem uma coordenação única de uma entidade internacional para o meio ambiente como uma OMC Ambiental.
(6)Mas essas organizações internacionais foram criadas pelos países ricos e curiosamente são eles que definem as regras do mundo todo. Não tem como ter igualdade  de direitos se os órgão estão vinculados aos maiores e mais poderosos grupos de poder e interesse econômico do planeta. A OMC Ambiental tenderia, da mesma forma, aos interesses dos países ricos. Havendo, portanto, um risco operacional com a tendência de patrulhamento e apropriação dos recursos naturais dos países em desenvolvimento, como o Brasil, colocando em risco a soberania dos países, tal como aconteceu recentemente com as declarações de Hilary Clinton em relação ao mar da China (rota de 1/3 do comércio mundial e com potenciais reservas de gás e petróleo).
(7)A globalização tem uma repercussão positiva também na produção mais competitiva e consumidores beneficiados quando trata-se de problematizar o ponto integração. Apesar do aumento dos preços com esgotamento dos recursos naturais, campos de plantação, e alimentos transformados em commodities, a distribuição dos produtos e serviços via informática transforma o mercado de massa em “massa de nichos” (Ler livro: A Cauda Longa, Chris Anderson) e aumenta as pressões externas nos países de ditadura ou que negam os direitos femininos.
(8)Resumidamente, seguem pontuados os problemas da globalização que não foram claramente citados pelo economista Stanley Fisher:
a)   Aumento da concentração de renda global;
b)   Desemprego entre os jovens;
c)  Consumo de produtos chineses em contrapartida de empregos que são re-locados para este país, provocando desemprego onde antes se tinha estabilidade social.

Ensaio inspirado no trabalho entregue ao professor Luiz Carlos Delorme Prado, para a disciplina Globalização e ética nas Empresas.


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Emprego verde economia verde, que diabo verde é esse?

Green Jobs, crime do colarinho verde, economia verde

Estes termos aos poucos se tornam freqüentes.

O "verde" não é mais tendência, virou moda e regra.
Leis ambientais são cada vez mais exigentes e os consumidores se tornam a cada dia mais conscientes.

Surge então o ecoprotecionismo no comércio internacional, a competitividade  ganha valores intangíveis, nunca antes mensurados. 

Recentemente, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) concluiu no relatório Skills que a nova ordem mundial, ou seja a nova forma de se produzir, distribuir e consumir, chamada por ECONOMIA VERDE, vai precisar de novas competências profissionais.

Traduzindo, a economia verde se expande, mostra seu potencial e exige trabalhadores capazes de pensar em produzir mais, já que a população mundial chegará em 9 bilhões de pessoas e menos pobreza extrema, ou seja mais pessoas com mais potencial de consumo, com menos impacto, menos recursos naturais, ou seja com mais eficiência e eficácia.

A carência desse novo perfil profissiográfico é apontada como um obstáculo para que a economia verde realmente vingue! 

Outro dilema é resolver o problema daquele trabalhador que perde seu trabalho na cadeia de produção tradicional e não tem habilidades e competências para ser absorvido pela indústria mais limpa, ou verde, como queira.

O relatório Skills está disponível no site da ONU economia-verde-demanda-melhoria-da-qualificacao-profissional-diz-relatorio-da-oit

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Rio seria candidata à "Capital Mundial dos Esportes"

Este era o projeto do ACRJ, até os escândalos na pasta do esporte virem a tona

 Para não perder o foco e continuar o trabalho CORRETO, rumo a conquista de mais este título para o Rio de Janeiro, o esporte tem que se mostrar sustentável em todas as dimensões (social, econômica, ambiental e política) a começar pela governança, transparência e a escolha de gestores, NÃO de oportunistas!
Um futuro afetado pela degradação ambiental e humana não é um cenário no qual os atletas de elite possam gostar e prosperar, tampouco inspira novos atletas amadores ou profissionais a se dedicar com comprometimento e amor à "camisa".
Nas Olimpíadas da China houve a preocupação com a qualidade do ar que os atletas respirariam, versos a performance. A diminuição de espaços limpos, mares limpos, reduz a participação de atletas e o possibilidade de surgimento de novos praticantes.
Em Londres, a governança foi essencial para defender aquilo que determinante à eleição desta cidade como sede dos Jogos em Londres, o respeito ao ambiente. 

A empresa Sports Business em pesquisa recente descobriu que Melborn, na Austrália é a cidade mais lembrada do mundo quando se fala em esportes. Mas não foi mencionada como capital. O Conselho Empresarial de Desenvolvimento do Esporte da Associação Comercial do Rio (ACRJ) vai dar o pontapé inicial do projeto de transformar a cidade do Rio de Janeiro em capital mundial dos esportes em 1° de março do ano que vem (2012), aniversário de 447 anos da cidade, quando será apresentado o Plano Diretor do Projeto.

O presidente do Conselho para os esportes da ACRJ é Andreas Ernst Mirrow. Ele defende a análise das ideias para viabilizá-las. Entre os objetivos deste Conselho, além da data de apresentação do Plano Diretor, está o apoio institucional (da ACRJ) e a promoção de debates para discussão e apresentação das propostas, seminários e simpósios. O Conselho pretende ainda: atuar como organismo de avaliação de projetos e resoluções inerentes ao desenvolvimento do esporte.
A Associação Comercial do Rio de Janeiro tem como presidente do Conselho Empresarial de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável Haroldo Mattos de Lemos, que também é Presidente do Instituto Brasil PNUMA (Agência das Nações Unidas para o Meio Ambiente). Haroldo desenvolve trabalhos sobre o tema “Economia Verde”. Que tal um alinhamento das decisões entre estes dois grupos de trabalho do mesmo órgão, em prol do projeto "Rio Capital Mundial do Esporte"?
- No aspecto ambiental os nossos jogos, vão tentar se inspirar nos Jogos Sustentáveisde Londres -  


Em novembro de 2009, os governos britânico e brasileiro assinaram um acordo pioneiro para compartilhar conhecimento e experiências sobre os Jogos Olímpicos que serão realizados em Londres. O objetivo é compartilhar experiências com representantes de países europeus que adotem ações de consumo sustentável e trazê-las para o Brasil

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

“A Casa que o amor construiu, a Internet abraçou!”

E como na vida real, o importante é o ato de abraçar.
Não importa como e quantas vezes.
O importante é abraço.


A Casa Ronald McDonald do Rio de Janeiro foi a primeira na América Latina e tem o compromisso em oferecer uma "Casa longe de casa" para crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer, mais acompanhante, de outros estados e municípios, em tratamento no Rio de Janeiro. Desde a sua fundação em 1994, a Casa já recebeu mais de 2 mil pequenos pacientes e, só no ano passado, contou com 250 voluntários atuantes. 

A Casa Ronald oferece vários programas na área social e psicossocial, como o de distribuição de Bolsa de Alimentos e cursos profissionalizantes para as mães. Atualmente, são 405 voluntários que se dedicam em diversas atividades, desde tarefas administrativas e operacionais até aquelas de atendimento direto às crianças, adolescentes e seus acompanhantes.

A primeira Casa Ronald McDonald foi inaugurada em 1974, na Filadélfia, Estados Unidos, com o objetivo de ser uma casa de apoio ao tratamento do câncer infanto-juvenil. A iniciativa ganhou abrangência mundial e hoje são mais 307 Casas Ronald McDonald, espalhadas por 30 países e regiões.

Para mais informações, www.casaronald.org.br .



quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Sustentável 2011_27/09


Desafios do futuro da economia verde no Brasil e mundial

País é apontado como liderança do novo cenário global da Sustentabilidade
O 4º Congresso Internacional sobre Desenvolvimento Sustentável reúne mais de 50 especialistas mundiais, empresas, Ongs e sociedade civil em palestras e oficinas sobre o assunto. Organizado pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), o evento apresenta iniciativas diferenciadas com objetivo de discutir os principais rumos da economia verde nos próximos 40 anos.
O Chairman do CEBDS e CEO Philips Brasil Marcos Bicudo, destacou projetos no setor como o "Rio Cidade Sustentável", iniciativa do governo estadual e municipal que visa usar a sustentabilidade em projetos e obras da cidade. "Esse será um dos cases para o Rio +20". O Presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, citou durante a abertura que uma das soluções mais práticas para diminuir o uso da energia comum é utilizar cada vez mais os meios de transportes públicos. "Acredito que dessa forma é possível reduzir a utilização de energia fóssil.".
O Secretário Assistente e Diretor Executivo da ONU para Rio +20, Brice Lalonde, enfatizou que o Brasil tem o papel de liderança no cenário global da Sustentabilidade. "O País deve aproveitar o fantástico momento que está vivendo e dar nova direção para as questões sustentáveis", disse. O Subdiretor geral no Ministério do Meio Ambiente da Holanda, Hugo Von Meijenfeldt acredita que a importância desse evento é ouvir, como membro do governo, o que as pessoas têm a dizer sobre sustentabilidade. O Ministro ainda falou como as empresas devem continuar pensando no lucro, mas de uma forma diferente, inclusive utilizando elementos da sustentabilidade. "É mais fácil reutilizar materiais do que procurar novos", alertou.
O diálogo com os participantes do evento também é considerado pelo Diretor do WBSCD, Peter Paul Van Wijs, como uma oportunidade de repensar as questões sustentáveis. O aumento da população é para ele um tema também a ser discutido, uma vez que em pouco tempo, a população mundial vai aumentar em 1/3, o que faz com que se pense mais sobre fatores como educação, saúde e consumo de bens. "O grande desafio será conciliar o crescimento da população com a degradação do meio ambiente".
A Secretaria da Articulação Institucional e Cidadania Ambiental, Samyra Crespo, destacou o processo brasileiro de engajamento na Rio +20. Para ela, existem três desafios a serem enfrentados no evento: honrar o legado da Rio 92, superar o pessimismo sobre o contexto internacional e mobilizar o Brasil em torno do tema. Sobre a esfera internacional, Crespo acredita as barreiras a serem superadas são a segurança climática, energética, alimentar, hídrica e paz. Durante a cerimônia, a Secretária falou sobre o grande otimismo sobre a vinda da conferência ao Brasil. "Temos boas experiências em projetos sustentáveis, agora é a nossa vez de ganhar escala". Além de falar sobre o desejo do Brasil em mostrar sua agenda, Samyra enfatiza a importância de acolher as ideias de outros países. "Agora é a hora e a vez do nosso desenvolvimento, e que ele seja sustentável", comentou.
Rio de Janeiro no foco sustentável
Também presente na abertura do evento, o vice-prefeito do Rio de Janeiro, Carlos Alberto Muniz, destacou a importância da cidade em receber esse tipo de evento e os projetos para os próximos anos para adaptar a cidade em um local mais sustentável. "Estamos em parceria com o Governo e com o CEBDS para o engajamento de ideias sustentáveis como coleta seletiva na cidade. Queremos mostrar que podemos produzir novos conceitos, através de incentivos de todos". Carlos Alberto afirmou ainda que para os próximos grandes eventos, Copa e Jogos Olímpicos Rio 2016, já espera contar com novos elementos sustentáveis na cidade.
Fotos do evento disponíveis em www.sustentavel.org.br

Sustentável 2011_27/09


Iniciativas sustentáveis do empresariado e perspectivas para a Rio+20 dão o tom do segundo dia do Sustentável 2011
A crescente participação do empresariado brasileiro na área da Sustentabilidade e a as principais perspectivas em torno da Conferência Nações Unidas Rio+20 abriram as discussões do segundo dia do 4º Congresso Internacional sobre Desenvolvimento Sustentável Sustentável 2011. O evento, organizado pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), termina amanhã, 29 de Setembro, no Píer Mauá, no Rio de Janeiro.

Marcos Bicudo, Chairman do CEBDS e CEO da Phillips Brasil apontou durante a plenária De Estocolmo a Rio+20 a ampliação da participação do empresariado em iniciativas de Sustentabilidade. Em 1972, apenas um empresário do setor privado esteve presente. No momento atual temos uma maior participação no processo. Hoje, por exemplo, o CEBDS conta com 64 empresas associadas, destacou. A presidente do CEBDS, Marina Grossi, completou que não só as empresas estão ganhando espaço na discussão, mas também todos os outros setores. É necessário organizar a participação de todos os atores para darmos concretude ao tema, avaliou.
A Internet como ferramenta de comunicação da Sustentabilidade também ganhará cada vez mais espaço, apontou o Secretário Assistente e Coordenador Executivo da Onu para a Rio +20, Brice Lalonde. Hoje, a Internet pode contribuir com um maior engajamento da sociedade para o evento. Diferentemente de Estocolmo, temos esse meio para divulgar nossas opiniões.
Já o Ministro do Superior Tribunal de Justiça, Antônio Herman Benjamin, relembrou o motor ético da Conferência Eco 92, uma vez que não existiam leis que protegiam o meio ambiente e encerrou afirmando que é necessário amarrar os debates às ferramentas legais, pois é fundamental deixar um marco legal que incorpore as diversas visões.
Perspectivas
Durante a plenária Perspectivas para a Rio+20, a Diretora e Representante do PNUMA para a América Latina e Caribe, Margarita Astralága, destacou ainda que as soluções sustentáveis foram encontradas e são conhecidas. A grande questão é como colocá-las em prática. Os esforços não devem ser concentrados só no meio ambiente, mas em elementos-chave para o nosso futuro, para que o desenvolvimento seja sustentável com a participação de todos: governo, cidadãos, setores públicos e privados, ressaltou.
Já a crescente importância dos países emergentes foi alvo da plenária Nova Governança: O papel dos Emergentes, que contou com a participação da Presidente da Iniciativa Empresarial Nacional, da África do Sul, Joanne Yawitch, do Subdiretor Geral do Ministério do Meio Ambiente da Holanda e do Diretor do Instituto Brics, o indiano Rakesh Vaydianathan.

Fotos do evento disponíveis em www.sustentavel.org.br

domingo, 21 de agosto de 2011

5 - Empresas na Amazônia e 6 - as propostas das minorias

    Chegada de empresas na Amazônia;
O Rio é a Rua na floresta Amazônica. Os povos milenares da região sobrevivem com a produção própria e a preservação da floresta é condição para essa economia regional. O desenvolvimento tem que partir dessas comunidades, não tão somente de fora para dentro, como sempre aconteceu neste modelo de crescimento adotado pelos militares e perpetuado até os dias de hoje, apesar de todos os avanços ecológicos que ainda estão mais no campo do discurso e reação às exigências da lei do que no da ação.

Os povos tradicionais criaram tecnologias de sustentabilidade reais e a existência desses povos a milhares de anos comprova que é possível desenvolver em harmonia com a natureza sem o que se chama de lavagem social, em troca de cultura e as empresas exploram, destroem e sujam. A catequese e conversão para um modelo que de fato inclua a sabedoria tradicional tem que acontecer dentro das empresas. O local action é importane mas não suficiente para combater a violência no campo.

2.   E as propostas das minorias: pescadores, ribeirinhos, indígenas, quilombolas e posseiros.

O que essas comunidades defendem é a demarcação regularizada de terras, e fiscalização adequada para que eles tenham segurança, social e alimentar para continuidade de sua cultura e tradição.

O economista Eli da Veiga costuma defender que “sem segurança é impossível se desenvolver e alcançar a cidadania plena”, exemplo disso vive o Rio de Janeiro, com as comunidades ou favelas pacificadas, que hoje atraem cada vez mais parcerias público privadas, gerando renda, capacitação e emprego formal.

Eles defendem também que as áreas de preservação sejam demarcadas.

A propostas dos pescadores, ribeirinhos, quilombolas, indígenas e agricultores é que sejam feitos investimentos em potencialidades inerentes à região, como o turismo, com vistas à melhoria das condições de vida das populações locais.


4-Avanço dos grupos econômicos e agronegócios, mineradoras, rumo à Amazônia Legal;


O cenário do Brasil contemporâneo no campo é conseqüência de um modelo nacional desenvolvimentista criado pelo regime militar e que persiste nos dias atuais principalmente no campo, na região Norte do país, em um local conhecido como o Polígono da Violência. É a continuidade de uma proposta antiga que se mantém até hoje, mesmo com todo o discurso ecológico (green washing).

É na fronteira da Amazônia Legal: Tocantins, Pará, Maranhão, Mato Grosso e Rondônia que estão os maiores avanços expansionistas do agronegócio. A expansão é acelerada e violenta.

Há milhares de anos os povos tradicionais da Amazônia viviam em equilíbrio com a natureza e as suas terras foram distribuídas para estes grupos econômicos, num processo de ocupação violenta da região.  As terras das comunidades locais foram reduzidas e estão concentradas entre as grandes propriedades, facilitando o confronto e camuflando crimes agrários. Dessa forma começou a escalada de violência.
A pressão expansionista dos grupos econômicos (sejam eles, madeireiros, grileiros, grandes proprietários de terra e mineradoras) sobre o solo, a floresta e as comunidades tradicionais (pescadores, remanescentes de quilombos, ribeirinhos e indígenas, além de posseiros com atividade familiar agrícola) não é fiscalizada e configura um cenário nacional agrário imediatista e sem visão de futuro.

Atualmente a região vive um ciclo extremamente violento. O estado continua sendo desenvolvimentista, só implulsiona aqueles que controlam a economia. Não há falta do estado na Região Norte, o estado está presente sim, para beneficiar apenas um lado. O que se vê são obras do PAC 2 espalhadas por toda Amazônia Legal. O PAC está concentrado lá, hidrelétricas (PCHs), ferrovias, rodovias, portos e grandes empreendimentos, tudo estrategicamente criado para expansão e escoamento das exportações das riquezas da Amazônia.
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) divulgou em junho de 2011 estudo denominado: Projeções do Agronegócio 2010/11-2020/2021, no qual diz que o Brasil se consolidará como uma potência agrícola nos próximos dez anos e vai disputar a liderança na produção de alimentos com os Estados Unidos. A Safra de grãos deve crescer 23% até 2021 e a área de colheita será 9,5% maior que a atual.

 Além de mais produção e mais vendas, o Mapa avalia que o País terá uma nova fronteira agrícola – batizada como Matopiba (formada pelo Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Essas áreas estão atraindo novas lavouras porque têm terras mais baratas que a região Centro-Oeste e poderão aumentar a produção de algodão, frango, carne bovina e soja; além de celulose e papel.
A produção total do país passará da  atual de 24,6 milhões de toneladas de carne para 31,2 milhões de toneladas na temporada 2020/21 (crescimento de 36,5%).  Se o cenário se confirmar, o Brasil terá 12% do mercado de milho; 33,2% do mercado de grãode soja; 49% da participação da carne de frango; 30,1% da carne bovina e 12% da carne suína.
O crescimento das exportações será acompanhado da expansão do consumo interno, que segundo o Mapa “continuará sendo o principal destino da produção: 85,4% do milho; 83% da carne bovina; 81% da carne suína; 67% da carne de frango; e 64,7% da soja”.
É dessa expansão que José Batista falou no Conexões Universidade.

3-Novo Código Florestal (a ser votado no Senado Federal);


A legislação precisaria ser mais rigorosa e está sendo flexibilizada. 
Crimes cometidos na Amazônia seriam perdoados se cometidos até 2008.

Até hoje, dos mais de 800 assassinatos que aconteceram apenas 9 mandantes dos crimes foram para o banco dos réus, 8 foram condenados e somente 1 cumpre pena atrás das grades.
Charge: Latuff

A lei não assusta ninguém e agora os crimes contra o meio ambiente serão apagados. 

O crime fundiário já foi perdoado pelo governo Lula, a grilagem é a falsificação dos títulos de propriedade, existem atualmente cerca de 30 milhões de hectares de terras griladas.

A PROPOSTA DOS QUE LUTAM PELA TERRA NO NORTE DO PAÍS É QUE:
Essas terras sejam retomadas pelo estado e redistribuìdas às populações, mas as terras foram regularizadas em até 1.500 hectares pelo governo e após 3 a 5 anos os proprietários, antigos grileiros ainda vão poder vendê-las.  Existe ainda a condição de laranjas para terras acima de 10 mil hectares.

2-Divisão do estado Pará;


Para José Batista a divisão do estado do Pará em: Carajás (poder com os ruralistas), Tapajós (idem) e Pará (Jader Barbalho) só fortalece o poder, as formas de controle dos grupos econômicos que no final são os que pagam a conta das candidaturas dos políticos.

O plebiscito chama sociedade para o debate, para enfrentar os reais problemas de fundo, que são:
·         Expansão acelerada e violenta do agronegócio que avança pelo Tocantins, Pará, Maranhão, Mato Grosso e Rondônia rumo à Amazônia;
·         Mineradoras;
·         Pecuária extensiva (as regiões onde tradicionalmente eram ocupadas pelo pasto, hoje perderam suas terras para as grandes plantações de grãos e cana-se-açúcar);
·         Madeireiros;
·         Soja e eucalipto, este último têm crescido a olhos vistos;
·         Luta pela terra, água e biodiversidade;
·         Revoltas sociais nas obras de construção da Hidrelétrica de Jirau (“22.000 trabalhadores elevam a voz contra as más condições de trabalho, contra maus tratos em o total desrespeito aos direitos” - dados constantes do relatório publicado anualmente pela Comissão Pastoral da Terra, disponível para download gratuito no site da CPT: “Conflitos no Campo – 2010”);
·         Mão de obra escrava, região “campeã” da mão de obra escrava contemporânea, são cerca de 30 mil trabalhadores nessas condições no Sul e Sudeste do Pará. A exploração humana e o nível de desigualdade sobre a qual se alicerça o “desenvolvimento”, transforma tudo o que a natureza prodigamente oferece como mercadoria e serviços ambientais e sacrifica milhões de vidas humanas em prol de um padrão de vida em que não há mais lugar para a simplicidade e à austeridade, desfrutado por uma minoria;
·         Assassinatos neste cenário todo. A Campanha da Fraternidade este ano vem alertar as consciências sobre toda esta grave realidade. A violência no campo começou a ser registrada pela CPT (Comissão pastoral da Terra) no final dos anos 70 tornando-os uma publicação anual a partir de 1985. Neste período foram registrados mais de 800 assassinatos, sendo que só nos últimos 15 anos foram 200 vidas perdidas;
·         Modelo de “integração” da Amazônia estimulado pelo regime militar resultou em: expansão dos grupos econômicos para dentro de um cenário ideal onde obtinham 100% de lucro, degradando o ambiente, explorando as riquezas com violência e sem fiscalização, ainda recebendo investimentos da SUDAM, usando mão de obra barata, quando não, escrava e recebendo incentivos fiscais do governo federal, legalizando a situação dos grileiros em detrimento dos posseiros. 

1 -Histórico e as raízes dos conflitos em toda Amazônia Legal;


O cenário do Brasil contemporâneo no campo é conseqüência de um modelo nacional desenvolvimentista criado pelo regime militar e que persiste nos dias atuais principalmente no campo, na região Norte do país, em um local conhecido como o Polígono da Violência.

A pressão expansionista dos grupos econômicos (sejam eles, madeireiros, grileiros, grandes proprietários de terra e mineradoras) sobre o solo, a floresta e as comunidades tradicionais (pescadores, remanescentes de quilombos, ribeirinhos e indígenas, além de posseiros com atividade familiar agrícola) não é fiscalizada e configura um cenário agrário-extrativista imediatista e sem visão de futuro.
A Amazônia, durante muitos anos, foi vista pelos estudiosos como um “deserto verde”, ou seja, era considerada um lugar onde não havia ninguém, só mata. Todos acreditavam que sua ocupação teria acontecido há pouco tempo e por um pequeno número de habitantes, mas estudos recentes apontam exatamente o contrário, os povos das florestas e toda a sua sabedoria sempre estiveram na floresta.

À época da implementação do modelo desenvolvimentista que explodiu no Sudeste do país, na década de 50, o ideário de reforma agrária,  desenvolvimento e integração do país à Amazônia (Programa de Integração Nacional), fez com o que os militares empurrassem as famílias de agricultores de Minas Gerais e do interior de São Paulo, rumo ao Norte do país, por conta da instalação de grandes complexos industriais em propriedades tradicionalmente rurais.
Essas famílias de “sem terras” eram levadas à Região Norte com a promessa de reforma agrária e de desenvolvimento da região. Nessa época as grandes obras como a Transamazônica atraíram mão de obra. Tornando a região um misto de sem terras do sudeste com os povos tradicionais que tinham suas terras cortadas pelas grandes estradas e não remarcadas.
Ao longo do tempo essas comunidades foram ficando imprensadas entre os latifúndios, empresas de mineração e tiveram suas atividades tradicionais de subsistência afetadas, com a poluição dos Rios e solo decorrente do uso intensivo de agrotóxicos e da exploração de minério de ferro.
Para agravar a situação o governo doava grandes porções de terras a grupos econômicos como a Volkswagen, beneficiava os grileiros à custa da não regularização dos posseiros.
Deu-se assim o início dos conflitos da terra no Brasil. 
CHARGE: Latuff

CONFLITOS TERRITORIAIS E CAPITALISMO COGNITIVO NO BRASIL RURAL


 Aula - dia 17 de agosto
CONEXÕES UNIVERSIDADE 
Foto: J. Vitorino 
 José Batista, palestrante convidado e Ivana Bentes (Coordenadora Geral do Conexões Universidade)
José Batista, Advogado e membro da coordenação nacional da Comissão Pastoral da Terra – CPT – além de um dos articuladores nacionais da Rede Nacional dos Advogados Populares – Renap - e membro da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (seção Pará), foi o convidado especial desta aula curso de extensão da Escola de Comunicação da UFRJ, criado em parceria com o Grupo Cultural AfroReggae. 

Ministradas em formato de seminários, as aulas acontecem todas as quartas, das 11h às 13, no Auditório da ECO, na Praia Vermelha. Os temas das aulas aprofundam o debate sobre as questões abordadas no programa de TV Conexões Urbanas. 

Durante o seminário José Batista falou sobre:

1. Histórico e as raízes dos conflitos em toda Amazônia Legal;

2. Divisão do estado Pará;

3. Novo Código Florestal (a ser votado no Senado Federal);

4. Avanço dos grupos econômicos e agronegócios, mineradoras, rumo à Amazônia Legal;

5. Legalização de terras de grileiros

6. E as propostas das minorias: pescadores, ribeirinhos, indígenas, quilombolas e posseiros.


Nota de publicação:Artigo será postado seguindo a numeração de cada assunto mencionado na palestra, conforme pontuados acima, e terá contribuição de: “Conflitos no Campo 2010”, Campanha da Fraternidade 2011 e deste blog. 



Artigo pretende apenas dar visibilidade ao apelo de ajuda e segurança às pessoas que arriscam suas vidas no campo. 

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2011

“Fraternidade e vida no planeta” 

Lema: “A criação geme em dor de parto” (retirado da carta de São Paulo aos Romanos 8,22)


A Campanha tem como objetivo geral “contribuir para a conscientização das comunidades cristãs e pessoas de boa vontade sobre a gravidade do aquecimento global e das mudanças climáticas, e motivá-las a participar dos debates e ações que visam enfrentar o problema e preservar as condições de vida no planeta”.

Realizada por todas as dioceses do Brasil, a Campanha da Fraternidade foi criada em 1964 e esta é a quarta vez aborda um tema relacionado à preservação da natureza e do meio ambiente. Em 1979, foi discutido o tema “Preserve o que é de todos”; em 2004, “Água, fonte de vida”; e, em 2007,”Vida e missão neste chão”, falando da Amazônia.

sábado, 20 de agosto de 2011

Brasil produtor de alimentos imediatista no presente, sem visão de futuro

Com, José Batista - Advogado e membro da coordenação nacional da Comissão Pastoral da Terra – CPT. Um dos articuladores nacionais da Rede Nacional dos Advogados Populares – Renap e compõe a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (seção Pará).

O cenário do Brasil contemporâneo no campo é conseqüência de um modelo "nacional desenvolvimentista" criado pelo regime militar e que persiste nos dias atuais principalmente no campo, na região Norte do país, em um local conhecido como o Polígono da Violência.
A pressão expansionista dos grupos econômicos (sejam eles, madeireiros, grileiros, grandes proprietários de terra, mineradoras e obras do PAC) sobre o solo, a floresta e as comunidades tradicionais (pescadores, remanescentes de quilombos, ribeirinhos e indígenas, além de posseiros com atividade familiar agrícola) não é fiscalizada e configura um cenário agrário imediatista e sem visão de futuro.

Mesmo os povos tradicionais ainda provocam e sempre provocaram impactos na sua forma de utilizar o solo. 


As tribos sambaquis e coivara tradicionalmente praticavam e praticam a agricultura de queimada. Como os solos tropicais são lavados pela imensa quantidade  de chuva, possuem  poucos nutrientes. Esses nutrientes estão na vegetação de cobertura. A sabedoria passada de geração em geração ensinou a esses povos primitivos da Amazônia que as cinzas desta vegetação fertilizam o solo. 

Portanto as queimadas sempre aconteceram na região, mas sempre em pequena escala. Onde há queimada, há além de emissão de CO2, supressão de floresta e biodiversidade,  e ainda esgotamento do próprio solo,  Esse tipo de cultura se deslocava de uma área a outra , a pequena escala de utilização possibilitava a recuperação do solo e da biota.


O princípio era do local atender ao local, o desenvolvimento sustentável tende a retomar este princípio, conhecido também como local action, sair da escala global para atender ao local. De qualquer forma a queimada exerce pressão sobre a floresta, pois a queimada não seleciona as espécies endêmicas (que ocorrem em um só local).

A Amazônia, durante muitos anos, foi vista pelos estudiosos como um “deserto verde”, ou seja, era considerada um lugar onde não havia ninguém, só mata. Todos acreditavam que sua ocupação teria acontecido há pouco tempo e por um pequeno número de habitantes, mas estudos recentes apontam exatamente o contrário, uma rica e detentora de uma sabedoria milenar sempre habitou a floresta.

À época da implementação do modelo desenvolvimentista que explodiu no Sudeste do país, na década de 30, seguido da industrialização com capital transnacional de JK a partir de 50, o ideário de reforma agrária,  desenvolvimento e integração do país à Amazônia (Programa de Integração Nacional), fez com o que os militares empurrassem as famílias de agricultores de Minas Gerais e do interior de São Paulo, rumo ao Norte do país, por conta da instalação de grandes complexos industriais em propriedades tradicionalmente rurais.

Essas famílias de “sem terras” eram levadas à Região Norte com a promessa de reforma agrária e de desenvolvimento da região. Nessa época as grandes obras como a Transamazônica atraíram mão de obra. Tornando a região um misto de sem terras do sudeste com os povos tradicionais que tinham suas terras cortadas pelas grandes estradas e não remarcadas.
Ao longo do tempo essas comunidades foram ficando imprensadas entre os latifúndios, empresas de mineração e tiveram suas atividades tradicionais de subsistência afetadas, com a poluição dos Rios e solo decorrente do uso intensivo de agrotóxicos e da exploração de minério de ferro.

Para agravar a situação o governo doava grandes porções de terras a grupos econômicos como a Volkswagen, beneficiava os grileiros às custas da não regularização dos posseiros.

Deu-se assim o início dos conflitos da terra no Brasil. Atualmente a perspectiva de futuro é no mínimo incerta. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) divulgou em junho de 2011 estudo denominado: Projeções do Agronegócio 2010/11-2020/2021. O Brasil se consolidará como uma potência agrícola nos próximos dez anos e vai disputar a liderança na produção de alimentos com os Estados Unidos. A Safra de grãos deve crescer 23% até 2021 e a área de colheita será 9,5% maior que a atual.

 Além de mais produção e mais vendas, o Mapa avalia que o País terá uma nova fronteira agrícola – batizada como Matopiba (formada pelo Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Essas áreas estão atraindo novas lavouras porque têm terras mais baratas que a região Centro-Oeste e poderão aumentar a produção de algodão, frango, carne bovina e soja; além de celulose e papel.


A produção total do país passará da  atual de 24,6 milhões de toneladas de carne para 31,2 milhões de toneladas na temporada 2020/21 (crescimento de 36,5%).  Se o cenário se confirmar, o Brasil terá 12% do mercado de milho; 33,2% do mercado de grãode soja; 49% da participação da carne de frango; 30,1% da carne bovina e 12% da carne suína.

O crescimento das exportações será acompanhado da expansão do consumo interno, que segundo o Mapa “continuará sendo o principal destino da produção: 85,4% do milho; 83% da carne bovina; 81% da carne suína; 67% da carne de frango; e 64,7% da soja”.
A divulgação das pretensões do Brasil alcançar a liderança da produção de alimentos no Brasil só aumenta a preocupação com a forma de utilização do solo.

O solo foi o recurso natural que primeiro chamou a atenção de estudiosos americanos. Coincidência ou não os Estados Unidos dominaram a produção alimentar global por décadas, mas protegendo, conservando e avançando em tecnologias e em legislação, com fiscalização e multa severa e também benefícios para agricultores que produzem de acordo com as leis de uso do solo.

No Brasil tampouco as leis são cumpridas, menos ainda fiscalizadas. A fome é por maior produção, sem visão de futuro.