domingo, 21 de agosto de 2011

1 -Histórico e as raízes dos conflitos em toda Amazônia Legal;


O cenário do Brasil contemporâneo no campo é conseqüência de um modelo nacional desenvolvimentista criado pelo regime militar e que persiste nos dias atuais principalmente no campo, na região Norte do país, em um local conhecido como o Polígono da Violência.

A pressão expansionista dos grupos econômicos (sejam eles, madeireiros, grileiros, grandes proprietários de terra e mineradoras) sobre o solo, a floresta e as comunidades tradicionais (pescadores, remanescentes de quilombos, ribeirinhos e indígenas, além de posseiros com atividade familiar agrícola) não é fiscalizada e configura um cenário agrário-extrativista imediatista e sem visão de futuro.
A Amazônia, durante muitos anos, foi vista pelos estudiosos como um “deserto verde”, ou seja, era considerada um lugar onde não havia ninguém, só mata. Todos acreditavam que sua ocupação teria acontecido há pouco tempo e por um pequeno número de habitantes, mas estudos recentes apontam exatamente o contrário, os povos das florestas e toda a sua sabedoria sempre estiveram na floresta.

À época da implementação do modelo desenvolvimentista que explodiu no Sudeste do país, na década de 50, o ideário de reforma agrária,  desenvolvimento e integração do país à Amazônia (Programa de Integração Nacional), fez com o que os militares empurrassem as famílias de agricultores de Minas Gerais e do interior de São Paulo, rumo ao Norte do país, por conta da instalação de grandes complexos industriais em propriedades tradicionalmente rurais.
Essas famílias de “sem terras” eram levadas à Região Norte com a promessa de reforma agrária e de desenvolvimento da região. Nessa época as grandes obras como a Transamazônica atraíram mão de obra. Tornando a região um misto de sem terras do sudeste com os povos tradicionais que tinham suas terras cortadas pelas grandes estradas e não remarcadas.
Ao longo do tempo essas comunidades foram ficando imprensadas entre os latifúndios, empresas de mineração e tiveram suas atividades tradicionais de subsistência afetadas, com a poluição dos Rios e solo decorrente do uso intensivo de agrotóxicos e da exploração de minério de ferro.
Para agravar a situação o governo doava grandes porções de terras a grupos econômicos como a Volkswagen, beneficiava os grileiros à custa da não regularização dos posseiros.
Deu-se assim o início dos conflitos da terra no Brasil. 
CHARGE: Latuff

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