domingo, 21 de agosto de 2011

4-Avanço dos grupos econômicos e agronegócios, mineradoras, rumo à Amazônia Legal;


O cenário do Brasil contemporâneo no campo é conseqüência de um modelo nacional desenvolvimentista criado pelo regime militar e que persiste nos dias atuais principalmente no campo, na região Norte do país, em um local conhecido como o Polígono da Violência. É a continuidade de uma proposta antiga que se mantém até hoje, mesmo com todo o discurso ecológico (green washing).

É na fronteira da Amazônia Legal: Tocantins, Pará, Maranhão, Mato Grosso e Rondônia que estão os maiores avanços expansionistas do agronegócio. A expansão é acelerada e violenta.

Há milhares de anos os povos tradicionais da Amazônia viviam em equilíbrio com a natureza e as suas terras foram distribuídas para estes grupos econômicos, num processo de ocupação violenta da região.  As terras das comunidades locais foram reduzidas e estão concentradas entre as grandes propriedades, facilitando o confronto e camuflando crimes agrários. Dessa forma começou a escalada de violência.
A pressão expansionista dos grupos econômicos (sejam eles, madeireiros, grileiros, grandes proprietários de terra e mineradoras) sobre o solo, a floresta e as comunidades tradicionais (pescadores, remanescentes de quilombos, ribeirinhos e indígenas, além de posseiros com atividade familiar agrícola) não é fiscalizada e configura um cenário nacional agrário imediatista e sem visão de futuro.

Atualmente a região vive um ciclo extremamente violento. O estado continua sendo desenvolvimentista, só implulsiona aqueles que controlam a economia. Não há falta do estado na Região Norte, o estado está presente sim, para beneficiar apenas um lado. O que se vê são obras do PAC 2 espalhadas por toda Amazônia Legal. O PAC está concentrado lá, hidrelétricas (PCHs), ferrovias, rodovias, portos e grandes empreendimentos, tudo estrategicamente criado para expansão e escoamento das exportações das riquezas da Amazônia.
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) divulgou em junho de 2011 estudo denominado: Projeções do Agronegócio 2010/11-2020/2021, no qual diz que o Brasil se consolidará como uma potência agrícola nos próximos dez anos e vai disputar a liderança na produção de alimentos com os Estados Unidos. A Safra de grãos deve crescer 23% até 2021 e a área de colheita será 9,5% maior que a atual.

 Além de mais produção e mais vendas, o Mapa avalia que o País terá uma nova fronteira agrícola – batizada como Matopiba (formada pelo Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Essas áreas estão atraindo novas lavouras porque têm terras mais baratas que a região Centro-Oeste e poderão aumentar a produção de algodão, frango, carne bovina e soja; além de celulose e papel.
A produção total do país passará da  atual de 24,6 milhões de toneladas de carne para 31,2 milhões de toneladas na temporada 2020/21 (crescimento de 36,5%).  Se o cenário se confirmar, o Brasil terá 12% do mercado de milho; 33,2% do mercado de grãode soja; 49% da participação da carne de frango; 30,1% da carne bovina e 12% da carne suína.
O crescimento das exportações será acompanhado da expansão do consumo interno, que segundo o Mapa “continuará sendo o principal destino da produção: 85,4% do milho; 83% da carne bovina; 81% da carne suína; 67% da carne de frango; e 64,7% da soja”.
É dessa expansão que José Batista falou no Conexões Universidade.

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