quarta-feira, 11 de abril de 2012

PRIMEIRA EXPERIÊNCIA INDÍGENA DE REDD

4 milhões ao ano até 2038 será a rentabilidade dos índios suruís, da Amazônia, com uma nova commodity, o carbono da floresta mantida em pé.

O projeto com os índios suruís começou a ser desenhado há quatro anos. Em 2008, o chefe da tribo Almir Suruí (37) ganhou fama ao se tornar parceiro do Google para monitorar o desmatamento na terra indígena.



Os desafios foram muitos, desde o envolvimento de 25 aldeias (1350 pessoas) e a expulsão de uma centena de madeireiros,  até demonstrar  para pessoas que mal falam o português que manter a floresta em pé é mais lucrativo a longo prazo.

O mercado ilegal de madeiras gera segregação e desigualdades de renda dentro das comunidades indígenas.
Em 2007, começaram as negociações para implementação do REDD. A ONG americana Forest Trends arrecadou doações para startar o projeto pioneiro. Cerca de US$ 1 milhão de dólares foi o custo da montagem do projeto, parte foi para o Idesam que projetou o quanto seria desmatado até 2038 sem o REDD. A outra parte dos dólares bancou gastos jurídicos para determinação dos direito dos índios ao carbono de suas terras.
Com certificação internacional dos selos Verified Carbon Standard (VCS - avalia criteriosamente a metodologia de avaliação da redução de emissões, dando garantias aos investidores) e Climate, Community and Biodversity (CCB - atesta que o projeto não afeta a biodversidade tampouco os direitos indígenas), os contratos do projeto terão de um lado os suruís de outro empresas interessadas em neutralizar emissões oriundas do ciclo produtivo. É o chamado mercado de REDD (Redução de Emissões por Desmatamento), que compensa financeiramente a manutenção de florestas tropicais e subtropicais mitigando o gás carbônico que causa o aquecimento global.
O dinheiro será aplicado em um fundo soberano destinado a alavancar a economia sustentável, como ecoturismo e a produção agrícola em terras já desmatadas. Um fundo  de estímulo a economia verde na região, ou seja, financiará atividades de baixo carbono .
A FUNAI (Fundação Nacional do Índio) e a Advocacia Geral da União (AGU) investigam 30 contratos deste tipo, um deles é entre índios mundurucus do Pará e uma empresa irlandesa, a Celestial Green que proíbe a tribo de usar a própria terra!!
No caso dos suruís os contratos só foram assinados pela tribo após a validação, antes entregavam suas terras à exploração ilegal de madeireiros.
O REDD NO MUNDO
Trata-se de um mercado mundial com regulamentação prevista para 2020. Em 2010, cresceu 35% e movimenta US$ 250 milhões por ano só com iniciativas voluntárias.
Na aldeia
Os índios têm a obrigação de manter a floresta em pé, com a redução do desmatamento e recebem dos compradores Us$ 8 dólares por tonelada de CO2 não emitida e estes grupos econômicos  “ganham direito” de continuar poluindo, mas compensando suas emissões.
O projeto tem meta de evitar o desmate de 13,5 mil há até 2038.
FONTE: Folha de São Paulo / Segunda 9/04.
MAIS INFOS:
 - ideia(premiação para três e 200 milo de prêmio) – filme e vídeo –
Fotografia linguagem e registro esético diferenciado, mostrar inovação
Inscrição até 15 de maio
Premiação 10 mil reais

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