segunda-feira, 2 de abril de 2012

MINÉRIOS DE CONFLITO

Na África Central o minério extraído da República Democrática do Congo está na mão de milícias. A região é rica em minérios diversos. Filmes como "Wolverine" e "Diamante Negro" já retrataram a fúria do ser humano na extração deste recurso.



Derivados de conlimbita-tantalita são matéria prima para a fabricação de celulares e turbinas gigantes, cassiterita vem do estanho e é usada em latas de café e placas de circuito, wolframita compõe lâmpadas e ferramentas mecânicas e o ouro é excelente condutor eletrônico e abastece as joalherias. Estes minérios de conflito estão no foco das preocupações de organizações humanitárias.

Já parou para pensar que um Iphone, anéis, colares e brincos, podem ajudar a armar rebeldes no Congo autores de crimes, como: genocídio, violência sexual e crianças soldados??


Rastrear a origem de cada metal refinado custa caro, cerca de US$ 16 bilhões, conforme reportagem publicada no NYT desta segunda-feira, 2 de abril de 2012. O rastreamento também pode colocar pessoas em risco, segundo a Global Witness, ONG com escritório nos EUA. Este é um dilema que esbarra na capacidade ou incapacidade de as gigantes globais  auditarem seus fornecedores. A Kraft Foods, por exemplo,  criou 40 mil produtos  e usou 100 mil fornecedores, como rastrear quem usou minério de conflito?

O Conselho de Meio A,biente e Sustentabilidade da Industria de Tecnologia da Informação  americano aponta outros “poderes entrincheirados nesses países que contribuem com esses crimes na região”
Desde 2008, a Enough Project tenta convencer os gigantes de tecnologia a desistir de comprar matéria-prima de origem obscura. Segundo o projeto já há inovação por parte da Intel, Motorola e Hewlett-Packard na escolha de seus fornecedores. Em dezembro do ano passado, a ONG fez um ranking com os 21 maiores fabricantes de eletrônicos, classificando o progresso das companhias para combater o uso de minerais retirados de conflitos (veja a lista ao lado). A Hewlett-Packard, a Intel e a Motorola lideraram a seleção por terem começado a vistoriar seus fornecedores e apoiado esforços da indústria para a criação de uma certificação. No pé da lista estão Nintendo, Canon, Sharp e Panasonic que, de acordo com a ONG, não fizeram nada para lidar com o problema.



Da Galileu - Só em 2009, os grupos armados congoleses receberam US$ 185 milhões com a mineração ilegal, de acordo com estimativa da organização americana de direitos humanos Enough Project. “Os valores podem flutuar, mas certamente são suficientes para perpetuar a guerra, comprar armas e pagar soldados”, afirma Aaron Hall, analista de política da entidade. Ou seja, adquirir algum aparelho eletrônico está indiretamente relacionado à manutenção do conflito mais violento do planeta após a Segunda Guerra Mundial. Esqueça o Afeganistão ou o Iraque. Nos últimos 15 anos, os confrontos em terras congolesas mataram 5,5 milhões de pessoas e mais de 200 mil mulheres foram estupradas, de acordo com estudo da ONG International Rescue Committee. Formalmente, a guerra terminou em 2003, mas as batalhas, turbinadas pelas reservas minerais do país, continuam entre os grupos armados que dominam e mantêm as minas.

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