sexta-feira, 27 de maio de 2011

Impactos Atmosféricos da indústria Cloro/Soda

Desafios para indústria Cloro Soda ->

·         Superar os problemas com a comunidade;
·         Obter certificação ISO-14000;
·         Reduzir emissões de GEE´s com obtenção de créditos de carbono.

Critérios para superação destes desafios e melhoria continuada dos processos

Identificar o cenário local, pontuando as características da região onde está localizada a indústria ESTADO DO RIO DE JANEIRO


 da seguinte forma:

·         tipificando a vegetação, relevo, clima e correntes de vento, no Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, o relevo é variado, composto por duas unidades a baixada Fluminense e o planalto Fluminense. A primeira ocupa quase a metade do território estadual e é onde está concentrada a maior parte do parque industrial do Estado. Nesta área de relevo mais plano há predominância do clima tropical semi-úmido, com elevados índices de pluviosidade no verão e inverno seco. A temperatura média desse território é de 24ºC e a média de chuvas anuais é de cerca de 1.250 mm, predominando na baixada resquícios de floresta de Mata Atlântica (fonte consultada: Eduardo de Freitas – geógrafo). 

·         Mapeando as comunidades de entorno.

Em escala global é importante identificar o mercado global

O cenário político social internacional é atualmente afetado pela alta do petróleo e controlado pelo gigante chinês. A China* está cada vez mais competitiva, isolando-se no comércio global como potência no setor, principalmente pela decisão de optar por um processo de produção de PVC que dispensa o uso do derivado de petróleo, o eteno, para sintetizar o monômero de cloreto de vinila (MVC), intermediário da resina (PVC). Esse processo, que se utiliza do mineral carbureto de cálcio e água para obter o acetileno*, o qual em síntese com o cloro gera diretamente o MVC, é muito mais econômico do que o empregado pelo mundo ocidental, baseado na produção do dicloroetano pela reação entre o cloro e o eteno. Enquanto o barril do petróleo não abaixar de US$ 45, a rota  química “ocidental” não fará frente ao processo chinês. 


rota química da China conta ainda com as vantagens de um custo de produção barato, decorrente da indiferença ambiental, que permite uma operação sem restrições naquele país, pois a tecnologia para obtenção do acetileno é bastante poluente e restrita em vários países. No comércio internacional poluir ou usar mão de obra infantil significa produtos mais baratos, a falta de regras na área ambiental e social se traduz em baixo custo de produção e um produto final mais barato caracterizando o que é chamado de COMPETIÇÃO OU CONCORRÊNCIA ESPÚRIA. Conforme o Sindicato Nacional da Indústria de Álcalis* (SINALCALIS) a tendência de melhoria do PVC acetilênico confirmam a grande penetração chinesa no mercado mundial.

As conseqüências deste contexto para o setor no Brasil, afetado também pelas paradas técnicas efetuadas, normalmente, em janeiro e pelo “apagão” de energia elétrica ocorrido em fevereiro que atingiu principalmente as indústrias do Nordeste não foram positivas. Segundo o SINALCALIS*, a produção de cloro na indústria nacional sofreu redução de 14,3% no primeiro trimestre de 2011 em comparação com igual período de 2010. Na média do período, a taxa de utilização da capacidade instalada foi de 77,3%, 15% menor que a média de janeiro/março de 2010. Este resultado se deve principalmente à convergência dos fatores internacionais e nacionais pontuados acima.

Com relação à soda cáustica, a produção nacional acumulada de janeiro a março de 2011 foi 15,2% menor do que em igual período de 2010. O consumo aparente de soda cáustica (produção local mais importações, descontado o volume exportado) apresentou ligeira elevação de 1%. Para suprir o mercado interno foi necessária a importação de 299 mil toneladas de soda cáustica no período janeiro/março de 2011, 23,7% a mais do que em igual período de 2010.


Poluentes emitidos pela atividade industrial do tipo Cloro/Soda

Dentre os poluentes investigados, o SO2 (dióxido de enxofre) tem o maior potencial de emissões pela indústria fluminense (83.115 toneladas por ano), contribui para a formação das chuvas ácidas, com conseqüente acidificação das águas, solos, lesões nas plantas, materiais, etc.. Trata-se de um gás originado pela queima de combustíveis fósseis, sobretudo na indústria, e está associado também a problemas respiratórios, Mercúrio gasoso e fluidps de refrigeração.

O PM10 vem em segundo lugar (19.191 t/ano) no ranking de potencial de emissões no estado, sob forma de partículas sólidas ou líquidas muito finas, produzidas pela queima de combustíveis mais pesados, utilizados nos processos industriais e nos veículos a diesel e que, em grande concentração, danificam o sistema respiratório. DADOS IBGE

 Plano de Contingência

As plantas de processos químicos, devido à natureza intrínseca das substâncias e dos produtos que manuseiam, estão sujeitas a uma gama de riscos que podem, não raramente, produzir danos irreparáveis aos equipamentos, bem como ocasionar graves lesões, ou até mesmo mortes, aos trabalhadores e às comunidades circunvizinhas fora dos limites de suas instalações. Para diminuir os riscos e os efeitos de um possível acidente com efeitos intra e extramuros é necessári o planejamento de um plano de contingência que contemple:

1)    Manutenção constante dos equipamentos, capacitação, melhoria dos processos e das substâncias manuseadas pela indústria e seus funcionário;
2)    É indicado a formação de uma comissão de crise ou contratação de empresa especializada;
3)    Previsão de treinamentos para motoristas da empresa;
4)    Campanhas internas de prevenção de acidentes no trânsito, promoção da saúde e respeito às etapas que dão segurança a todas as operações;
5)    Mapear as carências e reivindicações da comunidade por meio de visitas porta a porta;
6)    Simulação de acidentes e procedimentos caso haja o acidente;
7)    Elaborar um plano inicial de ações em caso de acidentes, como por exemplo, mapear a rota de evacuação da área afetada, e prever um plano B caso as primeiras ações não atendam o esperado.

Gases emitidos pela indústria cloro/soda capazes de contribuir com a deposição ácida e depleção da camada de ozônio

SO2 – dióxido de enxofre contribui para a formação das chuvas ácidas, com conseqüente acidificação das águas, solos, lesões nas plantas, materiais, etc.. Trata-se de um gás originado pela queima de combustíveis fósseis, sobretudo na indústria, e está associado a problemas respiratórios e à formação da chuva ácida. O mercúrio também é muito consumido pela indústria cloro/soda, a liberação gasosa do mercúrio se dá pela queima de combustíveis fósseis como carvão e petróleo para obetenção de energia para aquecimento das caldeiras. Os fluidos de refrigeração como CR 12 contribuem para a depleção da camada de ozônio.

Onde concentrar ações para redução de emissão de GEEs e consequente entrada no
mercado de carbono 

Nas três caldeiras que compõem a linha de produção. A substituição de forma seqüencial, sem descontinuidade da produção poderá resultar na redução de 24 mil toneladas/ano das emissões de CO2, conforme a indústria Dow, localizada na Bahia declara em seu relatório de sustentabilidade com metas de redução até 2015.

Novas caldeiras permitem pré-aquecimento da água e reação com menor consumo de gás natural. A substituição desde combustível por hidrogênio também é um caminho para utilização de fontes de energia mais limpa nos processos. A substituição do fluido de refrigeração, como o CR 12, por aqueles que não agridam a camada de ozônio é um compromisso dos signatários do Protocolo de Montreal. Há ganhos sustentáveis também na susbtituição de óleos combustíveis, que contêm compostos com enxofre e que na reação liberam SOX, contribuindo para a ocorrência de chuva ácida, por gás natural.

 ESTUDO DE CASO
CASO BRASKEM

A explosão da noite de sábado, 21 de maio de 2011, em uma das tubulações da empresa Braskem, nas proximidades da Rua Riachuelo, no bairro do Trapiche da Barra, em Maceió Alagoas, gerou pânico na comunidade que vive no entorno da fábrica e se coloca como um dos mais recentes acidentes no setor de produção de cloro/soda.

Segundo a apuração do repórter Leandro Gama da TV Gazeta (WEB), os moradores da região afirmavam que houve um 'estouro' na fábrica, já o tenente do Corpo de Bombeiros Militar(CBM), Luiz Diego, apenas confirmou que houve um vazamento no local:

 - O CBM chegou ao local e constatou que havia, de fato, um vazamento de gás, mas, segundo observações, não teve nenhuma explosão na fábrica- disse o tenente Luiz Diego.

Moradores da região acusaram o Corpo de Bombeiros de omissão de informação, e afirmam ter escutado um barulho vindo de uma das tubulações da fábrica, ocasionando pânico na região.


O QUE FOI FEITO – Comunicação em caso de crise:o gerente de comunicação da Braskem, Milton Pradines, declarou em nota protocolar dirigida à população alagoana o horário do acidente, 19h40, negando a explosão, possíveis incêndios e a ocorrência de vítimas. Pediu tranqüilidade aos moradores afetados e enviou, a serviço da Braskem, uma equipe médica ao Hospital Geral do Estado (HGE) para avaliar as vítimas, cerca de 130 pessoas, entre adultos e crianças.

OS SINTOMAS: todos relataram falta de ar, mal estar, vômito, desmaios, tosse e cansaço, sintomas de intoxicação, quatro vítimas foram consideradas em estado grave, uma delas correria o risco de perder a perna e outras trinta ficaram em observação.

CONSEQUÊNCIAS PARA EMPRESA: produção paralisada até que haja segurança total. No dia 21, sábado, durante o primeiro acidente da Braskem em 2011, o rompimento da tubulação provocou um vazamento de cloro de uma de suas tubulações. No acidente de segunda-feira não ocorreu vazamento porque as tubulações foram degasadas. O Instituto do Meio Ambiente (IMA) classificou a infração da Braskem como grave e multou a empresa em R$ 583.333,28 pelos dois acidentes ocorridos na petroquímica. A empresa deverá ainda responder a um inquérito pocicial civil, para apurar a extensão real do acidente, baseado no ART 251 do CP, combinado com a legislação sobre crime ambiental –ART 54, lei 9605/98.

Há análises de técnicos que apontam para as causas dos dois acidentes. O primeiro acidente, de sábado, deve ter ocorrido pela alta concentração de massa gasosa de arraste. O cloro produzido arrasta consigo uma série de impurezas, que devem ser eliminadas pelo resfriamento, secagem, compressão e posteriormente liquefação; onde será reduzido o seu volume, facilitando o seu transporte para o destino de seus consumidores. A área de compressão além de comprimir o cloro também é responsável pela eliminação da principal impureza que acompanha o cloro gás ao longo do seu processamento, a tricloroamina, que em determinadas condições de temperatura, pressão e composição possui caráter instável e explosivo. Em outras palavras, a massa gasosa de cloro acabou reagindo violentamente e explodiu. No pré resfriadouro a massa esquentou demais e a Braskem deveria ter usado o refervedor de cloro para manter os gases no limite de tolerância. Isso não foi feito e houve a segunda explosão desta vez sem vazamento porque as tubulações já haviam sido degasadas.

E as  substancias manuseadas, a situação de risco da comunidades circuvizinhas pode ser uma ameaça ao direito coletivo, por isso o Ministério Público Federal (MPF) abriu Procedimento administrativo para apurar o casoo relatporio deles sobre o risco real que essa comunidade está submentida hoje, também foi requerido o relatório do Hospital Geral Estadual (HGE), informações da Comissão prevenção acidentes e do sindicato dos trabalhadores relacionados à Braskem e do Sindipetro, a fim de identificar as causas e os responsáveis e para embasar uma possível ação judicial.

EM RELAÇÃO ÀS VÍTIMAS: a Braskem vai computar todos os danos, numa pesquisa com os residentes do local para ressarcir qualquer tipo de dano. Quatro dias depois do vazamento a Braskem centralizou o atendimento na Associação dos Moradores, com uma equipe de médicos, psicólogos e enfermeiros do Exército.












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