sábado, 24 de abril de 2010

O QUE É POLÍTICA VERDE HOJE? 10 anos da Fundação Heinrich Böll no Brasil.

Resumão:
Conferência Política Verde e e a relação com o nome do Blog: CONHECIMENTO SUSTENTÁVEL.

http://www.boell-latinoamerica.org

O que é política verde hoje?

Entre os dias 12 a 14 de abril de 2010, no Rio de Janeiro, a Fundação Böll comemorou 10 anos de atuação no Brasil com uma Conferência sobre adequação político, econômica e social para o futuro. Ou seja, como adotar um pensamento estratégico hoje para desfrutarmos de vantagens amanhã?

Mas O que é Política Verde ou Biopolítica? É, segundo Jean Pierre Leroy (assessor da Área de Meio Ambiente da FASE – Federação de Órgãos para assistencia Social e Educacional), “a apropriação da vida pelo mercado”.

No campo tecnológico contemporâneo encontram-se ciências como: as tecnologias verdes que desenvolvem alimentos transgênicos e intervém na reprodução humana; a nanotecnologia e a neurociência, capazes de criar nanocápsulas injetáveis que atingiriam diretamente as células doentes, ou mais ainda, seriam responsáveis por adiar a morte utilizando para tanto nanorobôs que fariam o trabalho dos órgãos incapazes de realizarem suas funções.

Marijane Lisboa, professora do curso de Relações Internacionais da PUC-SP e uma das fundadoras do Greenpeace no Brasil, propôs um questionamento sobre essas novas tecnologias, questões essenciais como “o que significaria uma sociedade sem mortes?” não são discutidas por esses cientistas, acrescenta a docente.

A Bioética ou Biopolítica é a política da vida, de como queremos viver no futuro e essa questão é definida no campo político. “Os líderes dos Estados definem, por nós, por meio de institutos como a OMC – Organização Mundial do Comèrcio - o futuro da humanidade” – conclui Jean Pierre. As questões de interesse coletivo, como saúde pública, meio ambiente e população seguem as regras do mercado que ao invés de evitar o dano priorizam o lucro imediato das empresas, analisa Marijane.

A Conferência seguiu analisando o valor conceitual do termo SUSTENTABILIDADE e como outras culturas, especialmente a alemã, tratam do assunto em seus países.

Neste momento da Conferência refleti sobre o nome do meu Blog e as ideias expostas no evento me levaram às seguintes questões: será que o termo é apropriado ou o modismo indutor deste esvaziamento semântico me atingiu em cheio? Antes de ME responder vou compartilhar as ideias dos palestrantes e ao final espero convencer-lhes, e a mim também, de que devo continuar seguir com domínio.

Inicialmente, Eli da Veiga (Coordenador do Núcleo de Economia Socioambiental - NESA - da USP) contextualiza a origem da palavra SUSTENTABILIDADE. Ele cita duas datas como marcos introdutórios deste "valor": 1848 e 1968.

O período de 1848, conhecido como "Primavera do Povo", foi caracterizado por uma série de revoluções de caráter liberal, democrático e nacionalista, na Europa Central e Oriental, que eclodiram em fução de regimes autocráticos. Na sequência viria um novo ciclo de reivindicações por mudanças, que faria paralelo com 1848.

Seria o ano de 1968: "O ano que não terminou". Marcado por eventos históricos, como os assassinatos de Martin Luther King e de Robert Kennedy, a Guerra do Vietnã, além de inúmeras manifestações, sobretudo estudantis, contra a Guerra do Vietnã e contra os regimes autoritários vigentes. No Brasil, foi o ano da instituição do AI-5 pelo então Presidente Costa e Silva.

Por conta das lutas desta época que buscavam promover e o incentivar o respeito aos direitos humanos, a ONU declarou o ano de 1968 como "Ano Internacional dos Direitos Humanos". Período igualmente transformador vinculado às áreas política, ética e comportamental, que se tornaria o marco inicial dos movimentos dos ecologistas.

O ponto em comum nestes dois períodos, segundo Eli, foi a tentativa de se "encontrar um lado humano para o capitalismo" e o efeito, segundo ele, seria o abalo no capitalismo ainda que sem mudança de poder. Após 1968 viria o novo pensamento voltado para os frutos do desempenho econômico.

"Os frutos do crescimento econômico deveriam reduzir a pobreza conservando a base da natureza". Era o surgimento da expressão SUSTENTABILIDADE, constata Eli.

Na Alemanha, Barbara Unmüssig (Diretora geral da Fundação Heirinch Böll), afirma que a palavra já não é mais usada, pois SUSTENTABILIDADE está vinculada a tudo: "previdência sustentável, saúde sustentável, etc." Ela chega a sugerir a expressão "adequação para o futuro" como a mais apropriada naquele país.

O consenso entre os palestrante é de que precisamos pensar estrategicamente em um novo modelo, um NEW DEAL repaginado, em substituição a antigos paradigmas que nos trouxeram para este cenário de crise ambiental de proporções planetárias. O modelo atual focado no lucro incessante que ainda rege o mercado está em cheque, como encontrar um ponto de equilíbrio entre os antigos paradigmas e as urgências da civilização?

"Destruir os bens comuns simplesmente pela nossa fome de consumo vai nos destruir", refletiu Bárbara durante o encontro. E é agregando esta ideia de BEM COMUM a toda argumentação anterior que começo a defender a manutenção do nome do blog.

Aqui o maior bem é o conhecimento, e o objetivo é compartilhar este saber, torná-lo público. É uma espécie de diário público do andamento das minhas pesquisas, escopo da minha monografia.

A internet possibilita a promoção de um brainstorming público. Ainda que precário, ele me ajuda e ajudará outros a aprimorar ideias, conhecimento.

A capacidade colaborativa de um blog, site e demais espaços virtuais é o que sustenta, atrai mais ideias e amplia o conhecimento. A característica multiplicadora destas novas tecnologias, incluo aqui o conceito de Web 2.0 e as redes sociais, são ilimitadas. Alimentam e realimentam conteúdos.

Se eu publico uma idéia no blog e alguém comenta, acrescenta ou corrige, a ideia está então recriada, aprimorada e disponibilizada. Qualquer um tem acesso. Este caráter democrático da rede torna o conhecimento um bem público e o ciclo todo recomeça.

No seminário escutei de uma alemã que lá existe uma regra nas florestas: o cidadão só corta árvores o quanto ele é capaz de repor, para que seus netos e bisnetos possam cortar as árvores que ele plantou.

No bolog acontece algo parecido, eu só posto uma ideia SE ela for relevante o suficiente para recriarmos novas ideias a partir do spot original. Numa argumentação reducionista posso dizer que aqui o conhecimento serve para sustentar o nosso crescimento enquanto pessoas e profissionais. Portanto, vou manter o domínio!

Falamos portanto da definição de Biopolítica ou Política Verde e sobre o que pensa Eli da Veiga a respeito de sustentabilidade. Na próxima postagem, com a palavra novamente a professora Marijane: primeiro temos que diferenciar desenvolvimento sustentável de sustentabilidade...

Fontes complementares:

http://educaterra.terra.com.br/voltaire/mundo/1968.htm

http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%B5es_de_1848

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